Usiminas eleva produção para além do setor automotivo

Companhia inaugura segunda linha de produção de aço galvanizado de olho nos setores de linha branca e construção civil

Reuters

18 de maio de 2011 | 17h05

A Usiminas, maior produtora de aços planos do país, inaugurou nesta quarta-feira sua segunda linha de produção de aço galvanizado, de olho em retomar participação de mercado perdida para rivais nos últimos anos.

A companhia, que chegou a deixar de vender aço no mercado interno por não ter capacidade de produção suficiente, pretende com a nova linha conquistar um terço do mercado doméstico de aço galvanizado para setores não automotivos que incluem linha branca e construção civil. Atualmente, a participação da empresa nesses segmentos é de cerca de 5%.

"Queremos alcançar isso (fatia de 30%) o mais rápido possível... Talvez já em 2012", afirmou o futuro vice-presidente de siderurgia da Usiminas, Sergio Leite, a jornalistas. "No início dos anos 2000 a nossa participação em aços galvanizados não automotivos era de 30%."

Além de retomar a presença da empresa nos segmentos não automotivos, o investimento de R$ 914 milhões na linha de 550 mil toneladas anuais também servirá para recuperar terreno perdido junto às montadoras de veículos, disse Leite.

Apesar do segmento automotivo ocupar quase toda a capacidade da antiga linha de galvanizados por imersão a quente da Usiminas, a participação da empresa no segmento caiu de 60% no início da última década para 50% atualmente.

O aço galvanizado é um dos produtos mais nobres da siderúrgica e sua proteção contra corrosão o torna mais adequado para a produção desde lavadoras de roupa a automóveis e componentes para indústria da construção. O mercado brasileiro de aço galvanizado movimenta cerca de 2,5 milhões de toneladas por ano.

Segundo Leite, o preço médio da tonelada de bobina de aço laminada a quente salta de R$ 1.700 para R$ 2.500 se for galvanizada.

A nova linha foi montada na Unigal, joint-venture entre a Usiminas e a japonesa Nippon Steel, que está no grupo de controle da siderúrgica brasileira.

A Usiminas detém 70% do empreendimento que passou a contar com uma capacidade produtiva de 1 milhão de toneladas anuais de aço galvanizado. O restante é do grupo japonês.

O projeto faz parte do esforço da Usiminas, uma das siderúrgicas brasileiras mais atingidas pela enxurrada de importações de aço recebida pelo país em 2010, de se tornar mais competitiva diante da concorrência doméstica com CSN e ArcelorMittal e também externa.

Leite, atualmente vice-presidente de Negócios da companhia, assume a partir da segunda-feira a integração das áreas voltadas à siderurgia da Usiminas, que reorganizou as operações de venda, produção e distribuição de aço sob uma única unidade.

"Em siderurgia, as áreas comercial e industrial ficarão sob um único comando. Vai ser vender, produzir e entregar", disse o presidente-executivo da Usiminas, Wilson Brumer, durante a inauguração.

Mais que dobrar

Brumer disse que o projeto da Usiminas é alcançar uma geração de caixa medida pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 8,3 bilhões em 2015. A cifra significaria um salto de mais de três vezes sobre o Ebitda obtido pela companhia no ano passado, quando foi de R$ 2,65 bilhões.

O executivo já havia adiantado à Reuters, durante o Latin American Investment Summit em março, meta de alcançar um Ebitda em torno de R$ 8 bilhões em 2015.

Além da nova linha de galvanização, existe a possibilidade de instalação de uma pelotizadora de minério de ferro em Minas Gerais com investimentos de US$ 1 bilhão.

O plano inclui ainda otimização da usina de Ipatinga, de acordo com estudos que devem ficar prontos este ano e "vão requerer investimento", disse Leite, evitando dar detalhes.

O presidente da Usiminas comentou ainda que a empresa tem como objetivo alcançar um valor de mercado de R$ 50 bilhões em 2015, ante R$ 22 bilhões atualmente. A dívida bruta não deverá ultrapassar três vezes o Ebitda anual e a líquida ficará entre uma e duas vezes.

Grupo de controle

Após o arrefecimento nos rumores dos últimos meses sobre mudança no controle da Usiminas, detido pelos grupos Votorantim, Camargo Corrêa e Nippon Steel, Brumer divulgou à imprensa um esquema de gestão centrado em "alavancas de valor" e "gestão de caixa".

Brumer, que está há cerca de um ano no comando da companhia, afirmou que "esta bússola foi concluída recentemente. Queremos que todos os stakeholders (acionistas, funcionários) saibam onde queremos chegar".

O presidente do Conselho de Administração da Usiminas, também presente na inauguração da nova linha de produção, disse que atualmente não existem conversas para mudanças no grupo de controle, evitando se estender sobre o assunto.

(por Alberto Alerigi Jr.)

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