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Usiminas fecha acordo para renegociar dívidas com bancos

Acordo que congelava a dívida da companhia vence na segunda-feira e precisa ser renovado; com caixa reduzido, empresa pode não ter recursos para suportar pagamento de dívidas

Fernanda Guimarães, Estadão Conteúdo

09 Setembro 2016 | 12h34

A Usiminas deu um passo importante para sua reestruturação financeira e finalizou as cláusulas definitivas para renegociação de suas dívidas com seus bancos credores. São eles: Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), assim como os bancos japoneses, incluindo o Japan Bank for International Cooperation (JBIC).

A assinatura do acordo com os credores deverá ocorrer ainda hoje, apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. O congelamento da dívida (standstill), que havia sido negociada em março deste ano e prorrogada uma vez, vence na próxima segunda-feira.

 

Um dos pontos cruciais para o acordo é a obrigação de liberação de no mínimo R$ 700 milhões do caixa da Mineração Usiminas (Musa) até o fim de junho de 2017. Se isso não ocorrer, o vencimento será antecipado e a Usiminas poderá entrar em default.

Depois de receber um aporte de R$ 1 bilhão, a Usiminas viu seu caixa crescer 56% no fim de junho ante março, para R$ 2,713 bilhões. No entanto, o caixa é ainda 6% inferior ao visto um ano antes. Desse caixa, a Usiminas não tem acesso a R$ 1,3 bilhão, que está detido em sua controlada Musa.

A Usiminas informou ainda que o acordo estabelece a prestação de declarações e garantias, como a imposição de outros covenants e obrigações, que também preveem a antecipação do vencimento. Um desses pontos é sobre dividendos. "Neste sentido, a Companhia assumiu o compromisso de, até pagamento integral dos valores devidos por força dos Instrumentos Definitivos, somente pagar ou distribuir os dividendos que forem exigidos por lei ou por seu Estatuto Social e, em caso de distribuição de dividendos, efetuar um pagamento do mesmo montante aos Credores, como amortização antecipada do saldo a eles devidos", conforme destaca no fato relevante.

Entre os termos estão o prazo de dez anos para o pagamento das dívidas da companhia e o período de carência de três anos para o início do pagamento do principal, item que também será aplicado aos bancos japoneses.

No fim de agosto, o Broadcast noticiou que bancos brasileiros credores estavam aguardando as instituições financeiras japonesas para, enfim, assinarem os documentos de renegociação da dívida da siderúrgica mineira. Entre as garantias aos bancos brasileiros e debenturistas há a hipoteca de primeiro grau sobre os laminadores de tiras a quente e a frio da usina de Ipatinga, em Minas Gerais.

Nas notas explicativas de seu demonstrativo financeiro referente ao segundo trimestre, a Usiminas detalha que de sua dívida R$ 1,324 bilhão tem vencimento em 2017, R$ 2,157 bilhões em 2018, R$ 514,7 milhões em 2019 e R$ 913,2 milhões em 2020. A dívida líquida da siderúrgica mineira ao fim de junho era de R$ 4,525 bilhões, queda de 4% sobre um ano antes e de 21% em relação ao fim de março, tendo em vista que no segundo trimestre houve apreciação do real em relação ao dólar, afetando positivamente a dívida denominada na moeda estrangeira.

"A celebração dos instrumentos definitivos marca a conclusão do processo de reestruturação financeira da companhia junto aos credores, o qual, na visão de sua administração, preserva as suas capacidades financeira e operacional, adequando seu perfil de endividamento às perspectivas de curto, médio e longo prazo", frisa a Usiminas. 

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