Usiminas manterá 3 alto fornos desligados até o final do ano

A Usiminas deve manter três de seus cinco alto fornos parados pelo menos até o fim de 2009. Foi o que anunciou nesta quinta-feira o presidente da empresa, Marco Antônio Castello Branco, em entrevista coletiva.

MARCELO PORTELA, REUTERS

14 de maio de 2009 | 16h58

Ele, no entanto, ressaltou o interesse da siderúrgica em participar de programas como o Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, e de projetos como obras de reformas de estádios para a Copa de 2014, além de projetos da área de hidrocarbonetos, principalmente a exploração da camada do pré-sal.

"Provavelmente, os fornos não serão reacesos este ano. Mas manteremos os investimentos em gastos de capitais, essenciais para a manutenção da atividade econômica no país. Não podemos contar com o mercado externo para compensar perdas no mercado doméstico", afirmou Castello Branco.

De acordo com o vice-presidente de finanças da Usiminas, Ronald Seckelmann, os três fornos representaram custo de 264 milhões de reais no primeiro trimestre deste ano.

Diante da perspectiva de manutenção do atual panorama econômico mundial, com recuperação da atividade industrial aquém das expectativas da empresa, a Usiminas optou por expandir o leque de atuação.

Segundo o presidente, a companhia já mantém contatos com construtoras e desenvolve projetos para participar das obras do programa Minha Casa, Minha Vida, lançado pelo governo federal para construção de 1 milhão de residências.

"Temos alguns projetos prontos, mas temos que ter alternativas, por causa da área das habitações e do preço", disse Castello Branco. Ele se referia às determinações para as residências previstas no programa e à concorrência do concreto, de mais baixo custo, na construção das estruturas dos imóveis. O presidente afirma que o foco da empresa é restrito às habitações para público na faixa de um a três salários mínimos.

"Podemos entregar um edifício com 16 apartamentos em até quatro meses", ressaltou. "Não vamos criar uma construtora. Já estamos em contato com construtoras que têm terrenos para apresentarmos os projetos", completou Castello Branco.

INVESTIMENTOS PRIMORDIAIS

Apesar do prejuízo de 112 milhões de reais entre janeiro e março anunciado pela empresa, o presidente afirma que a Usiminas manterá investimentos de 2,9 bilhões de reais em 2009.

Segundo Castello Branco, mais de 40 por cento desses recursos serão aplicados no que considera investimentos "primordiais", voltados principalmente para petróleo e gás. "Manteremos os investimentos porque, no longo prazo, temos confiança na capacidade da empresa de resistir ao atual constrangimento econômico, o pior pelo qual passamos", acrescentou.

O presidente da empresa disse ainda que espera reduzir as perdas com um programa de redução de custos, já responsável por economia de 176 milhões de reais desde dezembro de 2008 dentro de um total de 1,2 bilhão de reais de meta.

O objetivo não inclui gastos fixos, incluindo a mão-de-obra. Castello Branco afirma que ainda não há estimativa de economia com adesões ao Programa de Desligamento Voluntário (PDV) aberto pela empresa, ainda sem estimativa de resultado. E não descarta a possibilidade de demitir funcionários após a conclusão do programa. "Após o PDV, vamos avaliar a possibilidade de novos ajustes", concluiu.

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