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Com baixa contábil, Usiminas tem prejuízo de R$ 781 mi no 2º tri

Siderúrgica reverteu o lucro de R$ 129 milhões visto no mesmo período do ano passado e registrou perdas pelo quarto trimestre consecutivo

Marcelle Gutierrez, Fernanda Guimarães, Suzana Inhesta, correspondente, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2015 | 07h56

BELO HORIZONTE e SÃO PAULO - A Usiminas apresentou prejuízo líquido pelo quarto trimestre consecutivo, de R$ 781 milhões no segundo trimestre deste ano, revertendo o lucro líquido de R$ 129 milhões do mesmo período de 2014. Ante o primeiro trimestre, o prejuízo aumentou 232%.

Segundo a companhia, o indicador foi prejudicado pelo ajuste contábil realizado na sua unidade de mineração. Um pouco antes da divulgação do balanço, a empresa informou que o "impairment" realizado resultou em uma redução de R$ 985,046 milhões no valor dos seus direitos minerários, sendo R$ 868 milhões na Mineração Usiminas e R$ 117,046 milhões na Usiminas. 

O ajuste contábil, inclusive, já era esperado pelo mercado e foi a justificativa da mineradora para adiar seu balanço, que estava primeiramente marcado para o dia 30 de julho. Uma fonte ouvida pelo Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, já havia dito que a perda seria grande.

Segundo fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o impairment ocorreu diante da piora nas expectativas quanto ao preço futuro do minério de ferro. "O valor em uso da Unidade de Mineração foi atualizado para refletir as melhores estimativas da Administração sobre o preço futuro do minério, com base em projeções de mercado", informou a empresa.

O Ebitda (Lucro antes de Juros, impostos, depreciação e amortização) no segundo trimestre ficou negativo em R$ 755 milhões ante resultado positivo de R$ 538 milhões do mesmo período de 2014 e de também um montante positivo de R$ 354 milhões do primeiro trimestre. A margem Ebitda ficou negativa em 28,2% contra um valor positivo de 17,3% no ano passado e de 13,2% de janeiro a março de 2015.

Já o Ebitda ajustado, que considera a participação proporcional de 70% da Unigal e outras controladas em conjunto, ficou positivo em R$ 227 milhões, recuo de 58,6% ante o valor positivo de R$ 549 milhões do segundo trimestre do ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre, a queda foi de 40%. A margem Ebitda ajustada ficou em 8,5% ante 17,7% de abril a junho de 2014 e 14,2% no primeiro trimestre deste ano.

A receita líquida da Usiminas na mesma base de comparação passou de R$ 3,106 bilhões para R$ 2,677 bilhões, queda de 13,8%. Ante o primeiro trimestre, a receita da companhia ficou estável. 

Vendas. As vendas de aço pela Usiminas no segundo trimestre recuaram 12,4%, para 1,275 milhão de toneladas. Em relação ao primeiro trimestre, houve uma alta de 1%.

Segundo a companhia, as vendas de aço para o mercado interno nos segundo trimestre somaram 850,5 mil toneladas (67% do total), menores em 23,1% do que no primeiro trimestre e 31,2% menores do que o segundo trimestre de 2014. Para minimizar o impacto da baixa demanda interna, a Usiminas aumentou suas exportações ante o trimestre imediatamente anterior em 181,7%, totalizando 424,1 mil toneladas (33% do total). Em relação ao segundo trimestre, as exportações de aço foram 92,7% maiores.

A Usiminas informou que a receita líquida da unidade de siderurgia foi de R$ 2,401 bilhões, queda de 6% ante a cifra de R$ 2,556 bilhões do primeiro trimestre. A receita oriunda das exportações foi de R$ 636 milhões e de comercialização no mercado doméstico, de R$ 1,764 bilhão. Houve aumento de 3,1% no preço médio do aço no mercado doméstico.

Já o cash cost (custo caixa) por tonelada de aço foi inferior em 0,7% no segundo trimestre ante o primeiro trimestre, devido à redução em serviços de terceiros, minério de ferro, energia e combustíveis, embora tenha havido um impacto da desvalorização do câmbio, que afeta cerca de 40% dos custos totais. O CPV por tonelada recuou 1,4% na mesma base de comparação, devido ao mix de produtos vendidos de menor valor agregado, compensado pelos custos com parada temporária de equipamentos e depreciação.

Produção. A Usiminas ainda informou que, com o objetivo de equilibrar a produção com as vendas, as usinas de Ipatinga-MG e Cubatão-SP produziram 1,326 milhão de toneladas de aço bruto no segundo trimestre, uma redução de 3,8% em relação à do primeiro trimestre e de 17% ante o segundo trimestre de 2014.

A Usina de Ipatinga produziu 746 mil toneladas de aço, alta de 1% ante o primeiro trimestre e queda de 16,5% ante o segundo trimestre de 2014. Já a Usina de Cubatão produziu 580 mil toneladas de aço, recuo de 9% e 17,7%, respectivamente, nas mesmas bases de comparação.

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