Usiminas vê moderação de custo, após tombo no lucro

A Usiminas, maior produtora de aços planos do Brasil, espera uma moderação nos aumentos de custos que fizeram o lucro do primeiro trimestre tombar ao menor nível em dois anos.

ALBERTO ALERIGI JR. E GUILLERMO PARRA-BERNAL, REUTERS

28 de abril de 2011 | 13h56

O custo do carvão pode cair ligeiramente em junho, disse o vice-presidente financeiro da Usiminas, Ronald Seckelmann, em teleconferência com analistas. O lucro do primeiro trimestre despencou 96 por cento, pressionado por aumentos de preços de matérias-primas e preços de aço no mercado local fracos.

"Nossa expectativa de custo para o segundo trimestre é de estabilidade ou até de redução", disse Seckelmann.

O menor lucro da companhia desde o primeiro trimestre de 2009 sinaliza os desafios enfrentados pelo presidente-executivo, Wilson Brumer, enquanto busca ampliar produção de minério de ferro e de produtos de valor agregado além de cortar custos que estão erodindo as margens da operação siderúrgica.

A empresa divulgou mais cedo lucro líquido de 16 milhões de reais ante 375,2 milhões de reais um ano antes. Seis previsões de analistas obtidas pela Reuters apontavam para um ganho médio no período de 169 milhões de reais.

Após os resultados, as ações da Usiminas exibiam queda de mais de 3 por cento, para 16,17 reais. O papel acumula desvalorização de cerca de 10 por cento este ano e está atualmente no menor nível desde maio de 2009.

A queda no resultado foi intensificada pela venda da participação da Usiminas na siderúrgica argentina Ternium, que gerou um impacto negativo de 125 milhões de reais.

Os resultados também expuseram a vulnerabilidade das operações da Usiminas ao real forte que incentiva importações de aço, problemas inerentes de sua falta de autossuficiência em matérias-primas e energia e incertezas sobre o cenário da indústria. O presidente da siderúrgica, Wilson Brumer, afirmou na teleconferência que a empresa mantém meta de reduzir em 10 por cento seus custos até o final do ano.

"Se os números não estão bons, mas temos muito o que fazer, significa que temos um potencial de crescimento muito grande pela frente", disse o executivo.

CUSTOS E PREÇOS DE AÇO

A Usiminas anunciou a clientes em fevereiro aumentos de preços de aço --9 por cento em laminados a quente e a frio, 10 por cento em chapas grossas e 6 por cento em revestidos-- e conseguiu implementar os novos valores junto aos distribuidores, mas "no caso dos clientes industriais, estamos em negociações", disse Sergio Leite, vice-presidente de negócios da siderúrgica.

"O setor automotivo, em função de contratos de longo prazo teve movimento (de preços) muito pequeno. (...) O cenário de preços neste momento é de equilíbrio com relação ao mercado interno", disse o executivo na teleconferência. "Não existe nenhuma intenção de recuo de preços."

"Para os próximos meses, esse cenário de equilíbrio sofre risco de queda de preço no mercado internacional, que atravessa agora um viés de baixa, e o risco cambial. Mas, nesse momento, o cenário é de equilíbrio, com prêmio de 10 por cento sobre o preço internacional", complementou.

Diante do cenário de custos relativamente controlado e de preços em equilíbrio, a aposta da empresa é concentrar esforços no mercado interno, o que pode ajudar a empresa a ter uma melhora gradual de margem Ebitda ao longo dos próximos trimestres.

"O primeiro trimestre é sazonalmente mais fraco (...) mas é difícil dizer hoje quando vamos atingir 15-20 por cento, que é o que a gente está tentando mirar", disse Seckelman. No primeiro trimestre, a margem Ebitda da empresa foi achatada de 23,4 por cento um ano antes para 11 por cento.

Brumer acrescentou que a partir de maio o nível de exportação da companhia vai ser reduzido para cerca de 10 por cento ante patamar histórico de 25 por cento.

Respondendo à preocupação de analista sobre aumento dos investimentos em melhora de produtividade em um momento em que apresenta resultados fracos, Brumer afirmou que a companhia não vai abrir mão de níveis adequados de endividamento e liquidez. A empresa fechou o primeiro trimestre com alta de 129 por cento no caixa, para 5,89 bilhões de reais e endividamento líquido ao final de março de 2,3 bilhões de reais, queda de 36 por cento sobre o final de 2010.

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