Usinas passam a direcionar 54% da moagem da cana para o álcool

Ribeirão Preto, 27 - O processamento de cana-de-açúcar nas usinas do Centro-Sul do Brasil ganhou, na primeira quinzena de outubro, um destino mais alcooleiro, ao contrário de toda a safra 2004/2005. De acordo com levantamento da corretora Bioagência, 54% do processamento foi transformado em álcool e 46% em açúcar entre 1º e 15 de outubro. Na última semana de setembro, o processamento destinava 51% da matéria-prima para o açúcar e 49% para o álcool. "A indústria sucroalcooleira respondeu com agilidade à alta na demanda e a possibilidade de haver algum problema no abastecimento", afirmou Tarcilo Ricardo Rodrigues, diretor da Bioagência. Segundo ele, apesar de a demanda de álcool ainda se manter estável em 1,05 bilhão de litros/mês desde o início da safra, o preço do álcool nas bombas dos postos, que se aproxima de 60% do da gasolina "faz com que o consumidor comece a recusá-lo". Apesar das chuvas que atingem parte do Centro-Sul brasileiro, em algumas regiões como no Norte e Nordeste de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul o corte e o processamento da cana-de-açúcar seguem em um bom ritmo. Levantamento divulgado ontem pela União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) mostra que o processamento de cana-de-açúcar na safra 2004/2005 no Centro-Sul do Brasil atingiu 256 milhões de toneladas até o dia 15 de outubro. O total processado é 77,5% das 330 milhões de toneladas previstas para serem moídas pelas usinas e destilarias na safra. As 74 milhões de toneladas que ainda faltam para serem moídas na safra 2004/2005 devem ir para as unidades industriais até meados de dezembro, mas o setor trabalha com a hipótese de antecipar a safra 2005/2006 do fim de abril para o final de março de 2005. Mesmo com o aumento na produção de álcool apontada pela Bioagência, no mercado interno de álcool observa-se um número razoável de negócios, com preços nos mesmos patamares da semana passada, de acordo com o Cepea/Esalq. Por ser final de mês, são esperadas para esta semana compras das distribuidoras para abastecimento e, por parte das usinas, talvez a necessidade de fazerem caixa para a folha de pagamento no início do mês. Ou seja, um bom volume de vendas. A produção de álcool até 15 de outubro foi de 10,3 bilhões de litros, 75,95% dos 13,56 bilhões de litros previstos, e a produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil chegou a 17,8 milhões de toneladas no mesmo período, 75,74% das 23,05 milhões de toneladas previstas para serem feitas em toda esta safra. Segundo avaliação do Cepea/Esalq, o mercado interno do açúcar segue firme, com ligeiros aumentos observados diariamente. As usinas estão relativamente retraídas não se notam ofertas de terceiros no mercado, ou seja, há uma certa demanda frente a ofertas moderadas. As exportações brasileiras de açúcar registraram movimentação média diária de US$ 17,005 milhões FOB na quarta semana de outubro, segundo levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Com isso, o valor médio no acumulado deste mês é de US$ 14,355 milhões, 1,7% acima dos US$ 14,114 milhões do mês passado e 35,8% a mais que os US$ 10,574 milhões verificados no mesmo período de 2003. Ontem, o indicador Cepea/Esalq ficou em R$ 28,09, alta de 0,36% no dia e 3,04% no mês.

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