Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Vai escolher uma franquia? Muito cuidado

Saiba o que você precisa fazer para não errar na escolha e invista o seu dinheiro em um negócio promissor

Ligia Tuon, Especial para o Estado

31 de março de 2015 | 07h02

O caminho das franquias pode ser bastante atraente para quem pensa em abrir um negócio nesse momento incerto da economia do País. Para quem está de olho no setor, entretanto, uma lição precisa ser aprendida rapidamente: cuidado com os negócios da moda.

“Essas franquias dependem de grande quantidade de público consumidor, que gera um tíquete médio pequeno. Junto a isso, devemos considerar que o consumo cai em épocas de crise”, afirma Marcus Rizzo, consultor especialista na área.

O modelo de franchising pode ser interessante, ainda, para aqueles que não têm muita experiência no empreendedorismo, afinal, a marca transfere todo o seu conhecimento ao parceiro. Mesmo assim, isso vai adiantar muito pouco se a pessoa não estiver realmente preparada para dar esse passo. A situação pode ficar pior se, além da falta de conhecimento do candidato, a marca também não tiver bagagem na condução do negócio. Segundo Rizzo, 35% das franquias de alimentação especializada, por exemplo, têm zero de experiência no próprio negócio e 37% não possuem unidades próprias. 


O que fazer. Na opinião de Simão Silber, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da USP, uma maneira de acertar na escolha é verificar o nível de essencialidade do produto ou serviço – em qual medida ele é fundamental para o cliente. “Passamos por um período no qual a inflação estourou, as pessoas estão mais inseguras com relação ao emprego e as despesas básicas, como energia, ocupam cada vez mais espaço no orçamento das famílias”, justifica o especialista. 

O interessado deve medir, ainda, o grau de profissionalismo da marca. “Verifique se o dono da rede tem unidades próprias, o que significa que ele confia no negócio, e há quanto tempo essa marca atua no mercado”, aconselha Marcus Rizzo. 

Mas talvez o mais importante, em qualquer conjuntura, deva ser mesmo deixar o oportunismo de lado e pensar se há identificação com o negócio. “Pense no segmento no qual você está interessado e se pergunte se você vai ser feliz pelo menos nos próximos 10 anos fazendo isso, incluindo fins de semana, feriados e férias”, aconselha. Se, antes do País entrar nesse cenário de incertezas essa reflexão já era importante, reflete Rizzo, agora é ainda mais.

Prática. Esse ingrediente certamente não faltou a Eduardo Pacheco, diretor da rede mineira de escolas Park Idiomas. O empresário, que já conta com 40 unidades franqueadas, entrou em São Paulo há um ano e meio como parte de seu plano de expansão, colocado em prática mesmo em meio a retração da economia. 

“Não acredito em análises estáticas da situação econômica. Hoje, o Brasil tem 2,5% de sua população estudando em escolas de idiomas ante 7% no Japão”, afirma Pacheco. O dono da Park Idiomas explica que, mesmo em momentos de crise, as pessoas continuam procurando cursos de capacitação. “Se a empregabilidade é um risco, é preciso estar preparado. Isso não intimida a marca em seu processo de expansão. Mas é claro que todo o mercado é cíclico”, afirma o empresário.

Escolhas. O negócio da moda, como é atualmente a paleteria, mas já foi a brigaderia e a iogurteria, não deve ser totalmente descartado pelo candidato a empreendedor caso ele realmente aposte no futuro da categoria. Nesse caso, recomendam especialistas, será preciso suportar a saturação momentânea para colher os frutos depois. 

“Passada a novidade, muita gente vai ter saído desse segmento”, afirma Clemens Nunes, da escola de economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP). “Isso significa que as unidades que permanecerem poderão ter participação de mercado maior”, explica o especialista.

Além disso, o professor acrescenta que, se o empresário fosse abrir essa franquia no auge da procura pelo produto, provavelmente, pagaria uma taxa muito mais alta para o franqueador. Com a tal da maturação chegando, inclusive, podem aparecer alguns benefícios, como por exemplo, a matéria-prima ficar muito mais barata. E as taxas que devem ser pagas pelo interessado, caírem consideravelmente de patamar. “Não deixa de ser uma questão de enxergar as oportunidades”, afirma Clemens Nunes.  

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