Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Vale compra mineradora controlada por americanos por R$ 2 bi

Negócio foi fechado com o grupo americano Icahn Enterprises, que detinha 77% da Ferrous Resources

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2018 | 15h42

LONDRES - A Vale fechou a compra do controle da empresa de mineração Ferrous Resources, que tem operações de minério de ferro em Minas Gerais e na Bahia, por cerca de US$ 550 milhões (R$ 2,14 bilhões), incluindo dívidas. O negócio foi fechado com o grupo americano Icahn Enterprises, que detinha 77% da Ferrous. 

"Acreditamos que seria uma compra razoável, pois a planta (da Ferrous) está próxima a nós", disse, em Londres, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman. Segundo ele, a perspectiva da empresa é a de que os órgãos antitruste brasileiros aprovem o acordo definitivo para a aquisição. "O impacto da operação no mercado será pequeno. Estamos esperando os órgãos antitruste no Brasil, mas acreditamos que a compra será aprovada", afirmou.

O executivo, que participou do Vale Day, um encontro com analistas e investidores realizado na capital britânica, disse que a Vale deve estar entre as empresas que vão trazer mais benefícios para seus acionistas. Para ele, o sentimento negativo que foi gerado no mercado com as rusgas comerciais entre Estados Unidos e China deve durar pouco tempo e os preços devem ser recuperados.

"A Vale deve ser a empresa que deve gerar mais valor a seus acionistas e estamos muito orgulhosos disso", disse. "E essa discussão sem fim entre Estados Unidos e China consequentemente acrescenta um sentimento negativo, mas que deve ser temporário." O executivo também destacou no início da apresentação a parceria anunciada há alguns dias, em Nova York, com a Glencore, e também o otimismo com a decisão de continuar as operações de níquel da VNC, uma subsidiária da mineradora, em meio ao aumento da produção de carros elétricos pelo mundo. "Acreditamos muito na VNC", afirmou.

Schvartsman também garantiu que "nada muda" em relação ao acordo anunciado esta semana, em Nova York, com a Glencore, depois de a empresa no Brasil estar entre os alvos da nova etapa da Operação Lava Jato. "Não sabemos o que é e se há realmente um problema com a Glencore."

O presidente da Vale fez questão de enfatizar que a parceria com a empresa também produtora de commodities "é bem simples". O acordo, explicou, visa à operação conjunta de minas de cobre no Canadá (Victor e Nickel Rim South) com o objetivo de gerar sinergias para as empresas. "É um acordo muito simples. É importante entender que o acordo pode permitir uma melhor administração para as companhias", reforçou.

Ontem, foi anunciado que a Operação Sem Limites, a 57ª fase da Lava Jato, investiga empresas do mercado internacional por suspeita de pagar milhões em propinas a funcionários da Petrobrás em troca de vantagens na aquisição de derivados do petróleo. De acordo com o Ministério Público Federal, além da Glencore, também estão nessa operação a Vitol e a Trafigura. O pagamento de propinas pela Glencore teria sido de US$ 4,1 milhões, pelo que suspeita o MP, por meio de 160 operações de compra e venda de derivados de petróleo e aluguel de tanques para estocagem.

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