Vale diz que demanda atual é maior do que pode atender

Mineradora prevê operação a plena capacidade em 2010, mas não deve suprir toda a demanda

Natalia Gómez, da Agência Estado,

11 de fevereiro de 2010 | 14h11

A Vale informou nesta quinta-feira, 11, que a demanda por minério de ferro está aquecida em todo o mundo e que o mercado está precisando de mais minério do que a empresa pode vender neste momento. "Não estamos entregando mais apenas por questões internas", disse o diretor executivo de Finanças e Relações com Investidores da empresa, Fabio Barbosa, em teleconferência com analistas. A Vale prevê operar a plena capacidade em 2010.

Segundo ele, 2009 foi um ano especial devido à crise, mas o setor já começou a se recuperar por conta da melhora da produção industrial. "Existe um claro caminho de recuperação neste momento", afirmou. A alta do preço do minério no mercado à vista é uma evidência disso, de acordo com o executivo.

A demanda está se recuperando com maior agilidade em países emergentes e em alguns países ricos, como Estados Unidos e Austrália. Outras regiões, como Europa e Japão, têm se recuperado mais lentamente.

De acordo com Barbosa, outro fator positivo para a Vale é a redução das exportações de minério de ferro da Índia, que tem direcionado um volume maior de sua produção para o mercado interno. "A Índia está reduzindo sua participação nas importações de minério da China", disse. Isso abre espaço ainda maior para mineradoras como a Vale e as australianas BHP e Rio Tinto.

Preços

O volume negociado de minério de ferro no mercado à vista (spot) já superou o de contratos de longo prazo. Por isso, a cotação do produto no spot reflete, na realidade, o preço de mercado do minério este ano, segundo afirmou o diretor-executivo de Ferrosos da Vale, José Carlos Martins. Ele disse que o preço à vista gira em torno de US$ 130 por tonelada, uma cifra duas vezes maior que a negociada em contratos de longo prazo. Por isso, as siderúrgicas terão que levar essa diferença em conta nas negociações de preço deste ano.

Segundo ele, os preços não podem permanecer tão diferentes do mercado à vista, porque isso cria uma arbitragem no sistema. "Há clientes que compram pelo preço de referência dos contratos de longo prazo e revendem no mercado spot", disse.

China

A demanda da China por minério de ferro produzido no próprio país está diminuindo, o que permite à Vale aumentar sua participação de mercado. Segundo Barbosa, os clientes chineses tiveram acesso ao minério brasileiro durante a crise, quando a Vale destinou volumes maiores para a China, e agora estão dando preferência a este tipo de minério.

"Os consumidores chineses estão pagando mais caro pelo insumo importado em relação ao insumo nacional devido a esta mudança estrutural", disse em teleconferência realizada hoje. O executivo afirmou que a China está sofrendo problemas logísticos devido ao inverno rigoroso, o que também reduz as vendas das mineradoras locais.

Sobre os planos da companhia de aumentar sua frota própria, ele afirmou que a meta da Vale não é ganhar dinheiro com frete, mas com minério de ferro. "Nosso objetivo é vender cada tonelada de minério produzida, seja com transporte próprio ou com navios dos clientes", afirmou. De acordo com o executivo, isso vai depender das condições de mercado, mas a Vale precisa estar preparada para ter flexibilidade nesta área.

Fertilizantes

A compra da Fosfertil pela Vale é uma aposta da empresa no crescimento da demanda por proteína animal nos países emergentes e por biocombustíveis, de acordo com Barbosa. "O Brasil e a China são as maiores fontes desta demanda", afirmou, em teleconferência.

Segundo ele, a Vale tornou-se uma das maiores produtoras de fertilizantes com a aquisição da Fosfertil e outros ativos da Bunge. Ontem, a Vale anunciou um acordo com a acionista Mosaic, depois de ter acertado com os outros grandes acionistas da Fosfertil, Yara e Bunge.

A companhia prevê que a participação do Brasil no consumo global de fosfatados passará de 9% para 13,5% até 2020, enquanto em potássio deve sair de 15% para 18% neste período. Segundo a Vale, o Brasil se destaca na área agrícola devido às grandes áreas para expansão de fronteira e à disponibilidade significativa de fontes de água. Atualmente, a importação chega a 53% e 92% no consumo de potássio e fosfatados no Brasil, respectivamente. O executivo destacou que o interesse da companhia está nos segmentos de fósforo e potássio, mas não há planos de investir em nitrogênio.

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