Vale diz que só vai explorar gás para consumo próprio

A Vale do Rio Doce só busca gásnatural para atender à própria demanda e não tem ambição deexplorar petróleo em escala industrial, disse a empresa naquarta-feira, um dia depois de estrear no leilão anual delicenças de exploração de gás e petróleo no Brasil. "A Vale não é uma companhia e petróleo e não aspira a setornar uma. Entramos na esfera do gás natural para nosprotegermos em termos de possíveis aumentos de preços ou nocaso de escassez do produto", disse a diretora de Energia daempresa, Vânia Somavilla, a jornalistas numa conferênciatelefônica. A Vale pagou prêmio de 31 milhões de dólares no leilão e secomprometeu a um programa mínimo de exploração avaliado em 40milhões de dólares em nove blocos, segundo a executiva. Em setembro, a Vale anunciou sua primeira incursão no setorde gás natural, numa associação com a Royal Dutch Shell para aprospecção em campos brasileiros. A mineradora adquiriu parteda participação da Shell em quatro blocos na bacia do EspíritoSanto, ficando com 17,5 por cento da propriedade. A perfuraçãona área deve começar em 2008. A Vale é um dos maiores consumidores de energia do Brasil--usa 4,5 por cento da eletricidade no país, 4 por cento do gásnatural, 20 por cento do óleo combustível e 3 por cento de todoo diesel. A aquisição dos nove blocos no leilão de terça-feira foifeita em parceira com a Petrobras e com empresas estrangeirascomo a Devon Energy, a dinamarquesa Maersk e a colombianaEcopetrol . Somavilla destacou a importância da parceria com aPetrobras, devido ao "conhecimento geológico" que a estatalpossui. Três dos blocos são em águas rasas da bacia de Santos,quatro na bacia do Pará-Maranhão e dois blocos na baciaterrestre do Parnaíba. A participação da Vale varia de 20 a 40por cento. SEM APAGÃO "Estávamos atrás dos blocos que ficam perto das nossasoperações. A idéia é usar parte da infra-estrutura ou dos dutosexistentes, para os quais já há planos de levar gás até nossasusinas", disse Somavilla. "Conseguimos praticamente tudo o queestávamos atrás nas áreas que víamos como importantes. Agora oimportante é encontrar o gás." O Brasil recebe da Bolívia cerca de metade do gás naturalque consome, mas a Petrobras suspendeu os investimentos emprospecção e produção no país vizinho depois da nacionalizaçãodas reservas, decretada em maio de 2006 pelo governo de EvoMorales. Desde então, o Brasil tenta ampliar sua produção domésticae planeja construir usinas de regasificação para gás naturalliquefeito importado nos próximos anos. Analistas prevêem umaescassez de gás, com consequente aumento dos preços. Segundo Somavilla, a Vale pretende diversificar sua matrizenergética, investindo em usinas hidrelétricas, termoelétricas,a gás natural, biodiesel e outras fontes. Mas, de acordo comela, a empresa não acredita num risco de apagão no Brasil, comoapontam alguns especialistas. "Não acreditamos em apagão. Estamos tentando encontrarenergia para novos projetos", afirmou ela, revelando ainda quea Vale cogita uma participação nas hidrelétricas de Belo Montee do rio Madeira.

ANDREI KHALI, REUTERS

28 de novembro de 2007 | 19h52

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