Vale diz que terá concessão para produzir potássio

Mineradora espera que decisão para ampliar concessão da mina de carnalita em Sergipe ocorra até setembro

Fernanda Guimarães, da Agência Estado, com Reuters,

22 de julho de 2011 | 10h41

A Vale terá a concessão para a exploração de carnalita para a produção de potássio em Sergipe, afirmou nesta sexta-feira, 22, o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, em breve conversa com a Agência Estado. No entanto, o executivo não deu mais detalhes sobre a negociação que está sendo travada com a Petrobrás. Segundo o presidente-executivo da Vale Fertilizantes, Mário Barbosa, a mineradora poderá investir US$ 4 bilhões para expandir a mina se chegar a acordo com a estata.

As duas gigantes, que também atuam juntas em alguns blocos petrolíferos no país, negociam há anos um acordo sobre a extensão do arrendamento pela Vale de concessões que a Petrobrás tem em Sergipe desde as décadas de 1960/1970 em minas de silvinita e carnalita, minérios que contêm sais de potássio. "A gente acredita que até setembro tenhamos uma solução para o assunto da carnalita: arrenda, não arrenda, o prazo, etc. Não que tenha assinado algum papel. Estamos convesando com a Petrobras", disse Barbosa a jornalistas.

Segundo o executivo, após fechar o acordo a Vale levaria cerca de quatro anos para aumentar a capacidade de produção das atuais 700 mil toneladas para 2,4 milhões de toneladas por ano. A projeção da mineradora brasileira, que já anunciou querer ser um grande competidor mundial no setor de fertilizantes, é que o volume de potássio alcance 3,4 milhões de toneladas em 2015.

A primeira concessão negociada entre as duas companhias, em 1991, se referia a uma área onde se encontrava silvinita, Taquari-Vassouras, e que ainda tem vida útil de cinco a seis anos. Para expandir a produção de insumos para fertilizantes, uma preocupação do governo brasileiro, a Vale negocia também uma nova área no mesmo local, Carnalita, para explorar esse mineral.

Segundo Barbosa, quando as minas de Sergipe forem ampliadas e a produção da empresa na Argentina estiver a pleno vapor, a Vale será capaz de suprir até 40 por cento do demanda brasileira por potássio, que segundo o Instituto Brasileiro de Mineração é de 6 milhões de toneladas anuais. Atualmente, a mina de Sergipe é a única fonte de potássio no Brasil e abastece apenas 10 por cento do consumo nacional. O restante é importado.

A Vale espera que a decisão sobre a mina de carnalita ocorra até setembro. "Acreditamos que até setembro se tenha uma solução para o assunto da carnalita. Para decidir se arrenda, o prazo, etc. Não que tenha assinado algum papel", disse hoje o diretor executivo de Fertilizantes da Vale, Mario Barbosa.

A presidente Dilma Rousseff, o presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, e o presidente da Vale, Murilo Ferreira, se reuniram nesta semana para falar do assunto. A Vale arrenda a mina de Taquari-Vassouras, cuja área pertence à Petrobras, desde 1992, mas o prazo vence em 2017. Esse é o único local onde há produção de potássio no Brasil. O País tem de importar hoje 90% do consumo doméstico desse insumo.


Investimento

A Vale confirmou que investirá R$ 3,5 bilhões no Estado de São Paulo, conforme antecipado pela Agência Estado. O presidente da mineradora, Murilo Ferreira, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, assinam hoje o protocolo de intenções. Do total dos investimentos, uma parte será realizada por parceiros comerciais da Vale. Os investimentos ainda terão de ser aprovados pelo conselho da companhia.

O foco do investimento será a melhoria das atividades portuárias em Santos, com a ampliação de pátios intermodais e construção de armazéns portuários.

Na semana passada, a Vale firmou acordo com a Vale Fertilizantes para a constituição de uma joint venture para a exploração da concessão do Terminal Marítimo da Ultrafértil (TUV). Com os investimentos, o TUV terá sua capacidade de movimentação de granéis agrícolas do Porto de Santos ampliada em até 30%. O aporte de capital na joint venture para financiar o plano de investimentos do TUF será de R$ 432 milhões.

Além de Santos, a Vale também fará aportes no sistema ferroviário do Estado, com a aquisição de locomotivas e vagões, bem como expansão de pátios e construção de terminais ferroviários.

(Com Roberto Samora, da Reuters)

(Texto atualizado às 14h13)

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