Vale financiará investimento pela geração de caixa

Os investimentos de US$ 24 bilhões anunciados hoje pela Vale serão financiados "plenamente" pela geração de caixa da mineradora, segundo o diretor presidente da companhia, Roger Agnelli. "Não queremos elevar nosso endividamento bruto de forma nenhuma", disse. Mas o executivo ressaltou que a empresa está sempre olhando as condições de prazos oferecidos pelo mercado e que o prazo médio das dívidas da Vale é de dez anos.

CHIARA QUINTÃO, Agencia Estado

28 de outubro de 2010 | 17h11

Agnelli participou de entrevista coletiva à imprensa nesta tarde, em São Paulo, para comentar o plano de investimentos de 2011 e, ao lado de outros executivos da empresa, detalhar os dados do balanço financeiro do terceiro trimestre. O orçamento para o próximo ano representa aumento de 125,1% em relação aos US$ 10,662 bilhões gastos nos últimos 12 meses terminados em 30 de setembro de 2010.

Eleições

Agnelli afirmou que a empresa é importante para o Brasil em qualquer cenário, ao ser questionado sobre sua permanência à frente da mineradora após a eleição presidencial, disputada no segundo turno pela petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra. "Qualquer governo vai querer trabalhar de maneira próxima da Vale", disse.

Agnelli disse que já houve um posicionamento (da Vale) em relação à questão, e completou: "dispenso qualquer comentário." A Vale informou em comunicado esta semana que o tema de uma possível troca no comando da empresa "jamais foi tratado" pelos acionistas controladores. "As especulações na imprensa, que atribuem a fontes do conselho de administração informações neste sentido, não retratam a posição dos acionistas controladores da empresa", informou a mineradora.

Crescimento orgânico

De acordo com a companhia, o plano de investimentos anunciado hoje reflete um foco estratégico em crescimento orgânico: 81,3% do orçamento, ou US$ 19,521 bilhões, estão alocados para financiar pesquisa e desenvolvimento (P&D), projetos "greenfield" e "brownfield", contra a média de 74,4% nos últimos cinco anos. Os 18,7% restantes, ou US$ 4,479 bilhões, irão para sustentação das operações. Na prática, os "greenfield" são projetos que partem do zero, enquanto os "brownfield" surgem em áreas onde já existem outros projetos.

"Durante 2011, vamos investir no desenvolvimento de expressivo número de projetos de classe mundial, dos quais 15 já foram aprovados pelo Conselho de Administração", diz o fato relevante. Os projetos aprovados incluem Carajás Adicional 30 Mtpa, Conceição Itabiritos, Vargem Grande Itabiritos, Omã, Tubarão VIII, CLN 150, Salobo, Salobo II, Konkola North, Long Harbour, Totten, Moatize, Biofuels, Estreito e Karebbe.

De acordo com a companhia, 18 grandes projetos entrarão em operação entre 2010-2012, o que implica iniciar a geração de caixa a partir de US$ 26 bilhões investidos ao longo de seu desenvolvimento. "A entrada em operação desses projetos aumenta a capacidade de financiamento da expansão das atividades da companhia sem a necessidade de alavancar nosso balanço, e estabelece a base para a construção de novas plataformas de criação de valor, mediante desenvolvimento de projetos brownfield de baixo custo de investimento."

A Vale informa também que, com os ativos existentes e os que entrarão em operação no futuro próximo, o índice de produção, que inclui a performance operacional de todos minerais e metais produzidos pela companhia, deverá mais que dobrar até 2015, crescendo à taxa média anual de 16,3% entre 2011-2015, o que será superior ao ritmo de 9,8% por ano registrado no período 2003-2008.

A produção de minério de ferro deverá atingir 522 milhões de toneladas métricas em 2015. A Vale estima ainda atingir produção de 691.000 toneladas métricas de cobre, enquanto a produção de níquel irá crescer para 381 mil toneladas métricas. A companhia espera alcançar também produção de 42,0 milhões de toneladas métricas de carvão em 2015. Potássio e rocha fosfática também deverão ter a produção aumentada, respectivamente, para 3,4 milhões e 12,7 milhões de toneladas métricas.

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