Marcos Arcoverde|Estadão
Marcos Arcoverde|Estadão

Vale modifica termos de venda de ativos de carvão à japonesa Mitsui

Mudança de termos de negócio fechado no fim de 2014 reflete a queda dos preços do produto no mercado internacional

Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2016 | 22h41

RIO - A mineradora Vale anunciou mudanças nos termos do acordo firmado com a Mitsui no fim de 2014 para a venda de parte do projeto de carvão da mineradora em Moçambique, na África. No novo acerto, a japonesa aportará US$ 768 milhões no negócio, o que inclui uma fatia na mina de Moatize, uma participação no Corredor Logístico Nacala e uma linha de crédito de longo prazo para compensar investimentos já realizados pela Vale no projeto. A Vale ainda negocia um financiamento de US$ 2,7 bilhões para o projeto.

A alteração nos termos do acordo está ligada à queda dos preços do carvão nos últimos dois anos, que levou a Vale a realizar uma baixa contábil de US$ 2,4 bilhões no valor do seu ativo de carvão em Moatize em 2015. Pelo acordo inicial, a Mitsui pagaria US$ 450 milhões para ficar com 15% da fatia da Vale na mina. Agora, a empresa pagará US$ 255 milhões diretamente e poderá fazer um pagamento adicional de até US$ 195 milhões, atrelado a condições como o desempenho da mina.

De outro lado, o grupo japonês pagará US$ 348 milhões por 50% da participação da Vale na infraestrutura logística de Nacala, valor superior ao acertado no primeiro acordo. Hoje, a Vale é dona de 70% do corredor, e o restante pertence ao governo local. O novo acordo prevê ainda a concessão de empréstimo de longo prazo de US$ 165 milhões para o empreendimento, que deve ser transferido à Vale em contrapartida ao investimento já realizado.

A ratificação do acordo com a Mitsui é positiva em um cenário de preços instáveis para o carvão e em que a Vale procura parceiros para diluir riscos e gastos de seus investimentos. No entanto, a mineradora ainda não conseguiu destravar um “project finance” – modelo em que as receitas do projeto garantem o investimento –, que deverá injetar US$ 2,7 bilhões para bancar investimentos no Corredor Nacala. Essa operação é condição para a concretização de todo o negócio.

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