Vale planeja investimentos de US$ 21,4 bilhões para 2012

Mineradora concentra 71,5% dos recursos em crescimento orgânico e manutenção de operações

Luana Pavani, da Agência Estado,

28 de novembro de 2011 | 10h22

SÃO PAULO - A Vale acaba de informar seu plano de investimentos para 2012. O montante total aprovado pelo conselho de administração é de US$ 21,4 bilhões, sendo US$ 12,9 bilhões para execução de projetos, US$ 2,4 bilhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e US$ 6,1 bilhões para sustentação das operações existentes.

A expectativa de fontes do mercado era de algo em torno de US$ 19 bilhões. Até setembro, a companhia havia desembolsado US$ 11,308 bilhões.

Do orçamento total previsto para 2012, a Vale pretende alocar 71,5% em crescimento orgânico e a outra parte em manutenção das operações existentes. O crescimento orgânico se dará principalmente por projetos, que responderão por US$ 12,9 bilhões - ou 60,5% do total de US$ 21,4 bilhões previstos para o ano que vem; e também via pesquisa e desenvolvimento (P&D), com US$ 2,4 bilhões, ou 11%.

Por área de negócio, os investimentos priorizarão minerais ferrosos, com 46,7%; seguidos por metais básicos, com 21,6% do total; fertilizantes, com 9,6%; e carvão, com 8,9%. O segmento de energia vem na sequência, com 3,6% dos gastos. Por sua vez, os investimentos em siderurgia para 2012 responderão por uma fatia de 2,9%. Já a área de logística para carga geral receberá 2,4% dos recursos.

Na divisão geográfica, o Brasil responde por 63,7% do orçamento, seguido por Canadá, com 11,7%; África, com 9,1%; demais países da América do Sul, 6,0%; Ásia, 5,7%; Australásia, 3,3%; e "outros", 0,5%.

Ferro

A Vale espera que a produção de minério de ferro some 312 milhões de toneladas métricas em 2012. O dado é ligeiramente superior à meta para 2011, de atingir produção de 310 milhões de toneladas. No ano passado, a produção da Vale foi de 307,795 milhões de toneladas.

A meta confirma a projeção dada pelo diretor executivo de Marketing, Vendas e Estratégia, José Carlos Martins, em teleconferência sobre os resultados da companhia no terceiro trimestre.

Para os demais produtos, a expectativa da Vale de produção em 2012 para pelotas é de 50 milhões de toneladas; carvão, 16,6 milhões; níquel, 300 mil; cobre, 340 mil; potássio, 650 mil; e rocha fosfática, 8 milhões de toneladas.

No terceiro trimestre, a Vale bateu recorde na produção de minério de ferro e pelotas. Em seu relatório de produção, a companhia informou ter alcançado a marca histórica de 87,9 milhões de toneladas de minério de ferro, um crescimento de 6,4% em relação à produção contabilizada no mesmo período do ano passado. A produção ficou ainda 2,3% acima do recorde anterior de 85,9 milhões de toneladas apurado entre julho e setembro de 2008.

Liderança mundial

O diretor de Minério de Ferro e Estratégia da Vale, José Carlos Martins, afirmou que o objetivo da mineradora brasileira é manter o seu market share mundial em minério de ferro. "Queremos manter a liderança no mercado e vamos fazer de tudo para manter isso", disse o executivo.

Martins destacou que a empresa passa a ser mais "prudente em seus investimentos, e que a companhia enfrenta algumas dificuldades em seus projetos, por conta de atrasos em licenças ambientais, falta de equipamentos e mão de obra especializada.

Segundo o executivo, a produção da Vale pode crescer ainda 5% a 10% nos próximos anos mesmo sem os projetos, que estão em andamento, entrarem em operação.

Mercado brasileiro

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse que a Vale está preocupada com a perda de participação do mercado em siderurgia no Brasil. "Estamos convencidos de que estamos perdendo grande fatia do mercado em siderurgia. Tínhamos uma fatia de 70% do mercado em 2005, hoje temos 50% e teremos ao redor de 29% em 2014 e não estamos felizes com isso", disse.

Murilo Ferreira disse também que a companhia não quer fazer economia na área de manutenção, ao explicar os investimentos anunciados de US$ 6 bilhões para a área. Segundo ele, a realidade das minas está cada vez mais desafiadora. "Francamente falando, acho que uma empresa de mineração que quer ser líder não deve, de forma alguma, fazer economia em manutenção", disse.

Para Ferreira, a empresa deve estar atenta em fazer as manutenções e atualizações necessárias em "qualquer artéria entupida". Ele também voltou a reforçar que não houve, na verdade, redução nos investimentos para 2012. Os investimentos para 2011, no ano passado, foram projetados em US$ 24 bilhões, mas esse número foi atualizado para ao redor de US$ 18 bilhões ou US$ 19 bilhões a partir da nova metodologia adotada pela empresa após a entrada de Ferreira como o presidente.

"Se você olhar um copo, podemos dizer que está meio cheio ou meio vazio. Se você olhar sob a perspectiva do que mudou com a metodologia para este ano, você vai dizer que houve um aumento, porque estamos saindo de US$ 18 bilhões para um total superior a US$ 28 bilhões", disse.

Segundo o executivo, a Vale está aberta a novas oportunidades.

(Colaborou Fernanda Guimarães, da Agência Estado)

 

(Texto atualizado às 19h36)

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