Vale pressiona clientes a seguirem leis ambientais, trabalhistas

A Companhia Vale do Rio Doce, maiorprodutora de minério de ferro do mundo, informou em nota nestaquarta-feira que as usinas de ferro gusa do Pará, Maranhão eMinas Gerais, que recebem o produto da Vale, terão um prazo de30 dias para comprovar o cumprimento à legislação ambiental etrabalhista. Há suspeitas de que algumas empresas clientes da mineradorautilizariam carvão vegetal proveniente de áreas desmatadasirregularmente. Há também indícios de que algumas produtoras degusa compram carvão de carvoarias que submeteriam trabalhadoresa um regime de escravidão. Na semana passada, a Vale já havia informado a suspensão dofornecimento de minério de ferro para a Companhia Siderúrgicado Pará (Cosipar) e Usina Siderúrgica de Marabá (Usimar). Adecisão da empresa foi tomada depois que o Instituto Brasileirodos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ampliou a fiscalizaçãoa produtores de gusa que utilizariam carvão vegetal ilegal. "Foram comunicadas as empresas Siderúrgica Ibérica do ParáS/A (Ibérica) e Siderúrgica Marabá S.A (Simara), que, a partirde 1o de setembro de 2007, terão prazo de 30 dias paracomprovar o devido cumprimento da legislação ambiental etrabalhista", informou a Vale em comunicado. Segundo a mineradora, caso as empresas não comprovem ocumprimento da lei, "terão seus fornecimentos de minério deferro interrompidos". A Vale anunciou ainda que as empresas Cosipar e Usimar, quejá tinham sido comunicadas da rescisão de seus contratoscomerciais, também foram informadas da concessão do prazo de 30dias para a comprovação da regularidade ambiental e trabalhistade suas atividades. O prazo de 30 dias dado pela companhia também é válido paraempresas suspeitas de comprar carvão vegetal de carvoarias queutilizariam trabalho escravo. A Siderúrgica do Maranhão S/A (Simasa), Siderúrgica MarabáS.A (Simara), Viena Siderúrgica do Maranhão S.A (Viena),Itasider Usina Siderúrgica Itaminas S/A e Ferro Gusa doMaranhão Ltda (Fergumar) foram incluídas na lista do Ministériodo Trabalho de empresas "autuadas por comprar carvãoproveniente de carvoarias que utilizam trabalhadores emcondição análoga à de escravo", segundo a Vale. "Essas empresas também terão o prazo de 30 dias para acomprovação da sua regularidade perante as autoridadestrabalhistas, se não comprovarem, terão seus fornecimentosinterrompidos." Nesta semana, o Instituto Carvão Cidadão, um órgãofinanciado pelas empresas siderúrgicas e pela Vale, anunciouque cerca de 12 por cento das carvoarias da Amazônia brasileiraainda utilizam mão-de-obra escrava. [ID:nB461885] Sob pressão de clientes no exterior, a Vale tem exigido deseus clientes e fornecedores o cumprimento da legislaçãoambiental e trabalhista.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

29 de agosto de 2007 | 11h19

Tudo o que sabemos sobre:
SIDERURGIAVALELEGISLACAO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.