Vale reavalia participação na 9a rodada da ANP

A Companhia Vale do Rio Doceinformou que está reavaliando a participação da nona rodada depetróleo e gás natural do governo brasileiro, prevista para ofinal de novembro, depois que áreas importantes foram retiradasdo leilão por estarem na região do campo gigante de Tupi, doconsórcio formado por Petrobras, BG e Petrogal. "Estamos avaliando, a decisão não foi tomada, continuamosnegociando parcerias e estudando a nova regra", informou aassessoria da Vale à Reuters. Estreante em um leilão de petróleo assim como a Vale, aOGX, do empresário Eike Batista, manteve o interesse no leilão,segundo sua assessoria de imprensa, principalmente porque pelasregras da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural eBiocombustíveis a empresa, assim como a Vale, não poderá seroperadora de bloco e nem explorar em águas ultra-profundas. A retirada de áreas consideradas atraentes aos investidores--principalmente para as grandes companhias estrangeiras-- aduas semanas do leilão provocou críticas de algumas empresas,mas até agora nenhuma das cerca de 70 habilitadas pela ANPdeclarou que iria desistir do leilão. Apesar da retirada de 41 dos 120 blocos considerados deelevado potencial de descoberta, a expectativa dos analistas éque muitas empresas devem confirmar presença no leilão. "Certamente teria uma disputa maior, mas vai ter ofertasim, talvez não tantas como teria antes", avaliou o consultordo Centro Brasileiro de Infra-estrutura Adriano Pires. Para ele, mais grave do que a retirada de áreas às vésperasdo leilão foi a decisão de mudar as regras do setor, o que elechama de "quebra de contrato". Ele descartou ações na Justiçacontra a decisão governamental de retirar as áreas. "Nãoadiantaria, o governo baixaria um decreto", afirmou. De acordo com o consultor Jean Paul Prates, da Expetro, oobjetivo da mudança promovida pelo governo foi evitardiscussões futuras sobre unitização das reservas, ou seja, umaposterior discussão entre os vários agentes envolvidos naexploração da região para formação se um único reservatório. Segundo Prates, a unitização é o nome dado a umprocedimento jurídico-regulatório quando uma jazida de petróleoou gás se estende para além do bloco do concessionáriodescobridor. Quando isso ocorre, esclarece Prates, as operações sãosuspensas e as partes envolvidas têm que chegar a um "acordo deindividualização", pelo qual estabelecerão participação,operação, royalties e procedimentos operacionais válidos paratoda a jazida, unindo compulsoriamente todos os blocos queestejam no seu prisma superficial num mesmo projeto e num mesmocontrato de concessão. "Diante de uma notificação de tal significado e dimensão(campo de Tupi), é compreensível (e até mesmo recomendável) quea ANP, desde que devidamente respaldada por uma decisãoexecutiva de governo, 'congele' o oferecimento de áreasimediatamente justapostas ao bloco para minimizar um potencialrisco de unitização imediato", defendeu Prates em seu blog. A Petrobras confirmou na semana passada a existência de umreservatório gigante na camada pré-sal (a mais de 6 mil metrosde profundidade) no campo de Tupi, na bacia de Santos, comvolume estimado entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo e gásnatural, cerca de 40 por cento da atual reserva brasileira.

DENISE LUNA, REUTERS

12 de novembro de 2007 | 14h20

Tudo o que sabemos sobre:
ENERGIAVALE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.