Vale só deve reduzir fatia em usina no CE após 2014

A Vale não deverá reduzir sua participação de 50 por cento na siderúrgica que constrói com sócios sul-coreanos no Ceará até pelo menos o início da produção, em 2014, afirmou nesta quinta-feira o diretor de Siderurgia da mineradora, Aristides Corbellini.

DENISE LUNA, REUTERS

28 de abril de 2011 | 13h23

Após esse período, as parceiras sul-coreanas Posco e Dongkuk Steel terão opções de compra para elevar suas participações na usina, segundo acordo de acionistas que será assinado em breve, informou Corbellini a jornalistas após participar de evento setorial no Rio.

As declarações de Corbellini confirmam notícias que circularam nesta semana na mídia sul-coreana, que informaram que as sócias já estão negociando mudanças nas fatias que possuem no empreendimento para a fase posterior ao início de operação da usina, após 2014.

Atualmente a Posco, terceiro maior grupo de siderurgia do mundo, possui 20 por cento do projeto, enquanto a Dongkuk Steel tem 30 por cento.

Jornais sul-coreanos disseram que elas pretendem ficar, posteriormente, com 35 por cento cada, com a Vale detendo 30 por cento.

"Nós temos 50 por cento e vamos manter isso durante a fase de implantação. Nossos sócios têm opção de compra no momento em que entrar em operação a usina", disse Corbellini.

"Eles podem comprar depois da construção, podem exercer o direito de compra, e nós vamos ficar com, no mínimo, 25 por cento da unidade", acrescentou.

A usina, que ficará em Pecém, está orçada em 4,2 bilhões de dólares.

O acordo de acionistas, segundo Corbellini, será assinado entre a segunda quinzena de maio e a primeira quinzena de junho e terá validade de 20 anos. Ele substituirá o memorando de entendimentos fechado entre as empresas e vai também estipular os termos de compra de minério de ferro da Vale pelo período de 20 anos.

ESPÍRITO SANTO E RIO

O executivo da Vale comentou também sobre os outros projetos siderúrgicos da companhia no Brasil.

No Espírito Santo, onde pretende erguer a siderúrgica de Ubu, Corbellini afirmou que o momento é ideal para a Vale buscar parceiros para o empreendimento, onde está sozinha até o momento.

"Ubu recebeu licença (ambiental) prévia em março. A partir do momento que temos a licença e temos o terreno, nos sentimos mais confortáveis para negociar com sócios", afirmou, acrescentando já existirem empresas interessadas no projeto.

Segundo ele, que não quis revelar nomes de interessados, o eventual parceiro será um produtor de aço que vai ficar com as placas para posterior laminação.

"Ubu não vai vender placa no mercado, terá um sócio produtor", disse Corbellini.

Sobre o complexo no Rio de Janeiro, tocado com a alemã ThyssenKrupp, ele afirmou que a Vale está pronta para aumentar o investimento se a ThyssenKrupp decidir expandir a capacidade de produção prevista.

Já no quarto projeto, no Pará (Alpa), a Vale deverá ficar com 100 por cento do empreendimento, já que a ideia é que outra companhia laminadora instale uma estrutura próxima à siderúrgica para processar as placas que serão produzidas.

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