Marcos Arcoverde/Estadão
Marcos Arcoverde/Estadão

Afetado por câmbio, lucro da Vale cai 20% no trimestre

Companhia, no entanto, registrou um forte resultado operacional, com recorde de produção e de venda de minério

Renata Batista, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2018 | 19h03

RIO - Com um forte resultado operacional, marcado pelos recordes de produção e venda de minério de ferro anunciados na semana passada, a Vale lucrou R$ 5,75 bilhões no terceiro trimestre. O lucro ficou 20% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, prejudicado pelo impacto contábil de quase R$ 3 bilhões da desvalorização do real.

Mesmo assim, o aumento de mais 30% na receita entre julho e setembro permite que a empresa mantenha o ritmo de pagamento de dividendos aos acionistas.

A empresa pagou R$ 7,69 bilhões no primeiro semestre. Deve distribuir mais cerca de R$ 8 bilhões em dividendos até o fim do ano. Além disso, entre julho e setembro, gastou metade do US$ 1 bilhão destinado a recompra de ações.

Para o diretor financeiro da companhia, Luciano Siani Pires, essas ainda são as escolhas prioritárias para aplicação dos R$ 10 bilhões em caixa livre que a mineradora deve acumular até o fim do ano. No relatório divulgado nesta quarta-feira, 24, porém, a Vale sinaliza que começa a olhar outras oportunidades para aplicação dos recursos livres.

O conselho de administração aprovou a expansão do projeto de produção de cobre de Salobo, em Marabá, que entrará em sua terceira etapa. O diretor também não descarta aquisição de participações em novos projetos ou empresas. A expectativa é que os investimentos se acelerem no quarto trimestre, com desembolso de US$ 1,3 bilhão.

A Vale vem se beneficiando fortemente da demanda por minério de maior qualidade no mercado chinês. Quase 80% das vendas no terceiro trimestre se situam nas categorias premium, que têm maior teor de ferro e são menos poluentes. Com isso, o minério e as pelotas da companhia foram comercializados US$ 11/tonelada acima da cotação do produto de referência.

Em agosto, a empresa também conseguiu que a cotação da mistura de minérios que batizou de Brazilian Blend Fines (BRBF) começasse a ser acompanhada pelo Metal Bulletin, uma das principais fontes de informação do setor de mineração. No terceiro trimestre, o prêmio do BRBF foi de quase US$ 6/t sobre o índice de referência.

“Os fortes resultados do terceiro trimestre mostram a mudança estrutural nos mercados de minério de ferro e aço chineses. Somos a empresa de mineração mais bem posicionada para nos beneficiarmos do flight to quality, dada a crescente participação de produtos premium”, disse o presidente da Vale, Fabio Schvartsman.

O ex-diretor da companhia José Carlos Martins acredita que a empresa tem potencial para ter 100% de produtos premium. Mas o executivo explica que não é inteligente colocar o produto com maior teor puro no mercado, mas já misturado, porque os chineses acabam fazendo a mistura por conta própria. Isso abre espaço para os concorrentes que têm produto de menor qualidade mais próximo da China, como a Austrália.

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