Vale vende dez navios de transporte de minério por US$ 600 milhões

Acordo faz parte da estratégia da empresa de se desfazer de seus ativos de navegação para concentrar os investimentos na produção de minério 

Mônica Ciarelli e Glauber Gonçalves, de O Estado de S.Paulo,

31 de agosto de 2012 | 10h18

Texto atualizado às 22h50

RIO - A Vale anunciou na sexta-feira, 31, a venda, por US$ 600 milhões, de dez navios mineraleiros para a Polaris Shipping Co., empresa com base na Turquia. Com a operação, a mineradora dá mais um passo para executar o plano de se desfazer de ativos de navegação e passar a afretar os navios que precisa usar. Juntamente com a transação, a Vale já fechou contrato de longo prazo com a Polaris para usar os navios.

Em nota, a companhia informa que, além de liberar capital, a transação preserva a capacidade da Vale de transporte marítimo de minério de ferro, com os navios à disposição, mas eliminando os riscos de propriedade e operação. As embarcações envolvidas no negócio, antigos petroleiros convertidos em graneleiros, têm capacidade para transportar 300 mil toneladas e foram comprados pela Vale em 2009 e 2010.

No ano passado, a empresa anunciou mudanças na estratégia de logística, ao indicar uma preferência por investir em projetos voltados à mineração, e não na compra de navios. Além disso, a Vale tem enfrentado dificuldades para ter acesso aos portos chineses com seus supercargueiros, cuja capacidade supera à dos navios vendidos ontem em 100 mil toneladas.

Investimentos. A saída da Vale desses ativos acontece em um momento em que a companhia precisa concentrar esforços para investir em projetos de grande porte, que exigem um grande fôlego financeiro, como o de Serra Sul, no Pará, orçado em US$ 19,5 bilhões. Com a recente queda livre no preço do minério de ferro, a Vale ficou mais perto do limite de viabilidade econômica de seus investimentos.

Um cálculo feito pelo consultor Luciano Borges, da Adhoc, revela que, se a cotação do insumo chegar aos US$ 70 por tonelada, os projetos de expansão da companhia podem não sair do papel. Até mesmo Serra Sul, considerado "intocável" pelo presidente da mineradora, Murilo Ferreira.

"Ela (a Vale) pode até pensar em colocar um projeto de pé com o minério a US$ 80, mas, abaixo de US$ 70, acho muito difícil", afirma o consultor.

O insumo foi negociado a US$ 88,70 por tonelada na sexta, o nível mais baixo desde 30 de outubro de 2009. O pico de preço foi registrado no ano passado, quando o minério chegou a ser comercializado a quase US$ 200 por tonelada no mercado à vista chinês.

Com uma ampla infraestrutura logística, lembra o consultor, a companhia tem uma vantagem sobre as concorrentes, que lhe permite ter um limite menor de viabilidade econômica para seus novos projetos em minério de ferro. Pela estimativa de Borges, os novos investimentos da concorrência só se viabilizam com o minério acima de US$ 110 por tonelada.

Mas, segundo ele, o atual patamar de preços não deve perdurar. "O minério não ficará muito tempo abaixo de US$ 100 ou US$ 110 por tonelada", prevê. Mesmo assim, argumenta que o momento atual é complicado para quem precisa elaborar um orçamento da dimensão do da Vale. "Se eu tivesse no estratégico da Vale, já estaria com cabelos mais brancos do que tenho hoje", brinca.

Borges ressalta que o plano de investimentos da Vale para 2013 está sendo elaborado em um momento de incertezas sobre os rumos da economia chinesa. Para o consultor, a calibragem do orçamento precisa levar em conta também o preço do minério fechado em contratos de longo prazo, o fato de a companhia atuar em vários segmentos e de ter operações fora do País.

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