Valente defende iniciativa privada em massificação da banda larga

Para presidente da Telefônica, privadas teriam vantagem diante de uma eventual estatal por já prestarem serviços aos consumidores

Gerusa Marques, da Agência Estado,

22 de fevereiro de 2010 | 19h35

O presidente da Telefônica, Antônio Carlos Valente, defendeu a participação da iniciativa privada no projeto do governo de massificação da banda larga no País. "A participação das empresas é fundamental, porque isso vai ser mais rápido, mais barato e mais efetivo", disse Valente em entrevista coletiva para falar das ações da Telefônica para 2010.

 

Segundo ele, as empresas privadas têm vantagem diante de uma eventual estatal da banda larga, em estudo no governo, por já estarem prestando os serviços ao mercado consumidor. Ele reiterou, no entanto, que é preciso haver uma política de incentivos por parte do governo, não só na desoneração de produtos e serviços, como também na ampliação do número de licenças de TV a Cabo e de telefonia móvel, tecnologias que permitem a oferta de internet rápida.

 

"Se forem criados incentivos para que o mercado oferte e também pelo lado da demanda haja uma maior capacidade de compra, como o Estado de São Paulo criou a banda larga popular, será muito mais fácil para que esse processo venha a ocorrer", disse Valente, lembrando que esses argumentos foram expostos pelas operadoras ao governo federal.

 

"As empresas não comem criancinhas, vêm cumprindo com seus deveres, pagam seus impostos e podem ser agentes importantes. Agora, ainda assim, se a Telebrás for recriada e seguir as mesmas regras, vai ser uma empresa a mais", afirmou Valente, sobre a possibilidade reativação da Telebrás para ser a operadora do Plano Nacional de Banda Larga.

 

O presidente da Telefônica considerou positiva a ideia do governo de atuar no atacado, oferecendo capacidade de transmissão de dados para outras empresas, utilizando as fibras ópticas de estatais como a Eletronet, que tem a Eletrobrás como sócia. Ele afirmou inclusive que a utilização dessa rede interessaria inclusive à Vivo e à Telefônica fora do Estado de São Paulo.

 

"Se também vai oferecer acesso (direto ao consumidor), a coisa começa a ficar mais complicada", afirmou. O governo ainda não bateu o martelo sobre a extensão da atuação da Telebrás, se ficará apenas no atacado ou se vai oferecer também banda larga ao cliente final.

 

Ao comentar a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feita em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, de que quem oferecer o preço mais baixo dos serviços ao consumidor fará parte do projeto e "quem não fizer, tá fora", Valente disse que pretende continuar conversando com o governo e que ainda mantém otimismo sobre a possibilidade de entendimento.

 

Ele citou o programa de banda larga nas escolas, feito pelas empresas em parceria com o governo, para levar internet rápida de graça a todas as escolas públicas urbanas até o fim deste ano. "Esse é um exemplo de sucesso de parceria público-privada", afirmou.

 

Valente acrescentou que, para garantir acesso da população aos serviços de banda larga, é preciso mais que oferta, é necessário ter computador e capacidade de contratação pelo cliente. Além disso, Valente ressaltou que é preciso pensar em outras soluções para as diferentes regiões do País, como a região amazônica, que tem uma geografia específica e exige outras tecnologias de banda larga, como acesso sem fio e via satélite.

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