Valor de mercado da Samsung tem queda de US$ 17 bilhões

Valor de mercado da Samsung tem queda de US$ 17 bilhões

Presidente do conselho da empresa sul-coreana viu sua fortuna encolher em US$ 1,2 bilhão nos últimos dias

O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2016 | 23h12

O valor das ações da Samsung, negociadas na bolsa sul-coreana recuou pouco mais de 8% nesta terça-feira, 11, o que fez o valor de mercado da companhia cair em US$ 17 bilhões. Desde o lançamento do smartphone, a Samsung já havia enfrentado altos e baixos no valor de suas ações em função dos problemas durante o recall do Galaxy Note 7.

Além do efeito nos negócios no segmento de smartphones, a Samsung também deve sentir impacto nos resultados em outras empresas do grupo, como a que se dedica à fabricação de processadores e também à produção de telas para dispositivos. Essas áreas também dependem do sucesso da linha de smartphones da empresa.

Os executivos da empresa também já sentem na pele os efeitos da queda no valor das ações da companhia. De acordo com a agência de notícias Bloomberg, o presidente do conselho da Samsung, Lee Kun-Hee, perdeu US$ 1,2 bilhão de sua fortuna nos últimos dias, devido aos sinais de que a companhia poderia descontinuar o smartphone.

Apesar da queda nas ações registrada ontem, o valor das ações da empresa acabou o pregão próximo ao do dia em que a Samsung revelou o Galaxy Note 7, em 2 de agosto. Desde então, as maiores quedas foram registradas durante o anúncio do recall e também quando a Apple apresentou os novos iPhone 7 e iPhone 7 Plus, que concorrem diretamente com os smartphones premium fabricados pela sul-coreana.

O cancelamento da produção do Galaxy Note 7 pode custar mais de US$ 17 bilhões à Samsung. Ao retirar o produto do mercado, a empresa vai perder vendas de pelo menos 19 milhões de smartphones durante o ciclo de vida do produto, de acordo com analistas, entre eles o banco Credit Suisse.

A estimativa representa um grande incremento nas perdas em relação a previsão inicial de que o recall custaria US$ 5 bilhões à companhia.

A situação mudou completamente depois que a empresa fez a substituição dos aparelhos e, ainda assim, consumidores relataram casos de superaquecimento do produto. “Isso provavelmente matou a marca Galaxy Note 7”, disse o diretor geral da Charter Equity Research, à agência de notícias Reuters.

“É a primeira vez que eu vi o recall de um produto dar tão errado”, disse o analista financeiro Richard Windsor. “Não há como prever os danos à marca da Samsung.”

Descarte. Segundo analistas, além das perdas financeiras, a Samsung terá de pagar pelo descarte dos smartphones que apresentaram problema. Apesar disso, para uma empresa do tamanho da Samsung, que tem valor de mercado de US$ 235 bilhões e US$ 69 bilhões em caixa, os prejuízos poderão ser absorvidos, sem que a empresa sofra grande baque financeiro.

Hoje, a Samsung é a maior fabricante de smartphones do mundo. Conforme a consultoria norte-americana Gartner, atualmente a fabricante sul-coreana responde por mais de 22% das vendas globais de smartphones. Sua linha de produtos inclui desde smartphones básicos até aparelhos topo de linha, como era o Galaxy Note 7. Agora, a empresa terá de usar o Galaxy S7 e Galaxy S7 Edge para suprir o mercado premium.

Vantagem. A saída do principal smartphone da sul-coreana Samsung das prateleiras, após a polêmica sobre a segurança e a qualidade do Galaxy Note 7, vai beneficiar as outras fabricantes de smartphones, que agora ganham uma vantagem sobre a rival. A Apple, segunda maior fabricante do produto no mundo, deve ser a principal beneficiada.

A fabricante norte-americana, sediada em Cupertino, na Califórnia, anunciou a nova geração dos iPhones no início de setembro, perto da data que a Samsung convocou o recall global do Galaxy Note 7. Outra empresa que deve se aproveitar do momento é o Google, que vai colocar no mercado a nova linha de smartphones Pixel no final deste mês.

De acordo com analistas, além das grandes empresas, é possível que as fabricantes chinesas menos conhecidas também ampliem seu espaço no mercado global. É o caso de Oppo e Vivo. “O espaço será preenchido pelas rivais”, disse o analista da consultoria Strategy Analytics, Neil Mawson.

A Samsung também terá de enfrentar outras grandes marcas que tem perdido relevância no mercado, como LG e Sony. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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