Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Varejistas começam ‘bota-fora’ de janeiro nesta semana

Consumidores dormem na fila em busca de descontos de até 70%; Proteste alerta para ‘bola de neve’ no cartão

Pedro Ladislau Leite e Ana Neira, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2019 | 20h46

As maiores empresas de varejo no País anunciaram para esta semana suas tradicionais promoções de janeiro, que buscam compensar o hiato entre o Natal e a Páscoa, período sem datas importantes para o comércio. Neste ano, os descontos anunciados chegam a 70%.

A rede Magazine Luiza se planeja para abrir suas lojas com filas nas portas nesta sexta-feira, 4. A companhia espera comercializar o equivalente a 15 dias de vendas no dia, diz o executivo da rede Fabrício Bittar Garcia.

As promoções da rede de supermercados Extra também começam a valer nesta sexta-feira e duram até sábado, 5. A empresa do Grupo Pão de Açúcar vai oferecer descontos para produtos eletrônicos, eletrodomésticos e, pela primeira vez, alimentos.

As liquidações das três principais marcas de comércio eletrônico operadas pela B2W – Americanas.com, Submarino e Shoptime – já começaram a valer nesta quinta-feira, 3, e vão até o dia 13.

O Pontofrio, da Via Varejo, oferece desde quarta-feira, 2, seus descontos de “bota-fora” em todas as categorias nas lojas, site e aplicativo. Já as Casas Bahia, controladas pelo mesmo grupo, começam as promoções nesta sexta-feira, oferecendo descontos e cobrindo as promoções dos concorrentes.

“Essa é a data mais esperada pelos consumidores no início do ano para aproveitar as ofertas e descontos”, afirma, por meio de nota, o diretor da Via Varejo Jorge Faiçal, explicando que a época é utilizada pelo grupo para para liquidar os estoques do ano passado.

Dia na fila

O auxiliar de engenharia Gabriel Vinicius da Silva, de 20 anos, chegou a uma loja da Magazine Luiza às 9h da quinta-feira e irá dormir no local. Além dele, cerca de dez pessoas tiveram a mesma ideia.

Ele foi acompanhado da irmã Marcela Silva, de 16 anos, e de uma lista de compras nada modesta que contém máquina de lavar roupas, geladeira, televisão, forno elétrico, microondas, máquina de lavar louças, panela de pressão elétrica, jogo de panelas, jogo de copos, ventilador, secador de cabelo e “talvez dois celulares, não tenho certeza”, disse.

Sua família acaba de mudar para um apartamento novo e pretende renovar tudo. Por isso, todos passaram boa parte do ano passado economizando dinheiro e pesquisando. “Eu tenho aqui uma lista com os preços de tudo que queremos em todas as lojas, então eu fiz uma média dos valores nos últimos tempos e ver onde já é mais barato. Assim, mesmo que seja uma promoção ilusória, não vou cair.”

A dupla também fez um esquema para o grande dia: estiveram na loja um dia antes para verificar a localização de cada um dos itens. O gerente da unidade também combinou que as 15 primeiras pessoas da fila poderão ficar dez minutos sozinhas no local para fazer suas compras com tranquilidade.

Atenção com parcelas

As ofertas de início do ano costumam ter de fato boas oportunidades de compra, confirma Juliana Moya, da associação de defesa do consumidor Proteste, mas é preciso ter alguns cuidados.

Uma das principais preocupações, conta, é a perda de controle das despesas, que pode gerar um aumento no número de superendividados. “É preciso ter certeza de que há espaço para novas compras no início de ano, já que é um período de mais despesas, como IPVA e matrículas escolares”, diz.

Ela alerta ainda que as compras no cartão de crédito podem ser particularmente perigosas nesta época, gerando uma bola de neve de gastos. “O consumidor que traz gastos da Black Friday e do Natal pode perder o controle das parcelas e acabar pagando juros no cartão, os mais altos do mercado”.

Outro ponto de atenção é para não cair em pegadinhas. “Nas compras online, é preciso verificar se o preço a pagar aparece com desconto, o que nem sempre acontece seja por fraude ou por erro técnico”, recomenda. Nas lojas físicas, Juliana aconselha evitar compras por impulso. “Algumas lojas anunciam o desconto somente para fisgar o consumidor. Lá dentro, dizem que o produto está esgotado e empurram outro com preço cheio”. / COM REUTERS

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