Vazamento da Chevron no Campo de Frade terá multas pesadas, diz ANP

Segundo a agência, uma das multas recebidas pela petroleira será por a companhia ter informado o mesmo volume de óleo vazado por três dias, o que é impossível de acontecer

Irany Tereza, da Agência Estado,

17 de novembro de 2011 | 14h23

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, disse nesta quinta-feira, 17, em entrevista à Agência Estado, que o óleo que escapa do Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, é originado do vazamento na sapata de um dos poços. Parte do óleo extraído da jazida escapou desse "furo" e atravessou uma falha geológica, desembocando no assoalho oceânico e contaminando a água do mar em um ponto cerca de 150 metros adiante. Isso significa que o vazamento ocorreu provavelmente por um erro de operação do poço e não por uma falha natural alheia à responsabilidade da empresa.

Lima está convicto de que serão aplicadas "multas pesadas" pelo acidente, mas diz que a comissão que analisa o caso só terá noção do valor depois de controlado o vazamento. O campo é operado pela Chevron, com 51,7% de participação, em sociedade com a Petrobras (30%) e o consórcio Frade Japão Petróleo (18,3%). "A prioridade agora é controlar o vazamento", disse Lima. Para isso foi iniciado o processo de cimentação, que prevê quatro etapas, sendo que a primeira delas foi concluída ontem. "Os engenheiros afirmaram que foi um sucesso", completou Lima.

As quatro etapas ocorrerão em profundidades diferentes do mesmo poço. A primeira cimentação, concluída ontem, tem secagem total prevista para hoje, 20 horas depois do processo. Lima não soube informar com precisão quando todo o processo será finalizado.

Depois de cimentado o poço, será também tapada a rachadura no fundo do mar por onde o óleo escapou. Para o diretor-geral da ANP, o fato de imagens de satélite estarem detectando uma mancha maior no mar do que a informada inicialmente "não é um dado inquietador". Ele explica: "É comum a mancha se alastrar, mesmo depois do início do trabalho de contenção do vazamento. Há um aumento da área, mas uma redução da densidade do óleo, especialmente quando o mar está muito revolto, como é o caso. As ondas no local estão alcançando de dois a quatro metros. No fim, geram imagens um pouco distorcidas".

Ainda de acordo com Lima, já é certo que a Chevron será multada também por outro procedimento irregular. A empresa informou à ANP o mesmo volume de óleo vazado por três dias, o que é impossível de acontecer. "Somente por isso já está certo que haverá multa", disse o diretor, esquivando-se de revelar valores. Segundo Haroldo Lima, nove engenheiros da ANP acompanham a operação para contenção do vazamento. Ele manteve a previsão de que a mancha não se aproximará do litoral.

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