Veja outros empresários que já criticaram o governo

Presidente do Iedi e sócio-fundador da Natura, Pedro Passos disse que falta direção à economia e que os empresários não confiam no governo

Economia & Negócios e Cleide Silva e Márcia de Chiara, de O Estado de S.Paulo, Texto atualizado na terça-feira, às 11h56

10 de fevereiro de 2014 | 11h58

SÃO PAULO - A troca de farpas entre o governo e os empresários não é de hoje. Em entrevista ao Estado, o presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e sócio-fundador da Natura, Pedro Passos, disse que falta direção do governo à economia e que os empresários não confiam no governo Dilma Rousseff.

Dirigentes de duas importantes entidades do setor empresarial brasileiro, a Abimaq (máquinas) e a Abinee (eletroeletrônicos), dizem estar céticos em relação aos rumos da política econômica e terem perdido a confiança no governo, o que se traduz em adiamento de investimentos. Fabricantes de veículos discordam dessa avaliação.

Na edição de segunda-feira, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, rebateu as críticas, afirmando que "são um instrumento de campanha eleitoral antecipada".

Na opinião do presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, "há uma falta de segurança sobre o que vai ser a economia brasileira nos próximos meses, mais especificamente em relação às regras para o setor elétrico. A apreensão é grande".

Ele aponta a "contabilidade criativa" do governo nas finanças públicas como um dos geradores de insegurança. Além disso, aos olhos dos investidores internacionais, o Brasil já não é visto de forma positiva como até pouco tempo. Somada à falta de confiança, Barbato não vê ações do governo para baratear a produção da indústria. "A desoneração da folha de pagamento foi a única grande notícia positiva para a indústria."

Ele ressalta que as reformas trabalhista e tributária são pontos cruciais para a indústria. No entanto, não vê perspectivas de que sejam feitas no curto prazo.

Carlos Pastoriza, diretor secretário da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), reconhece avanços na inserção social, mas diz que o modelo econômico "nos rouba competitividade sistêmica como país".

Segundo ele, a indústria de transformação, "que é o motor do desenvolvimento", caminha para ser apenas montadora ou importadora porque a produção local não é competitiva.

"Estamos céticos em relação ao desejo da classe política de fazer reformas para mudar esse quadro", diz Patoriza. "Teria de começar com a reforma mãe, que é a reforma política." O executivo ressalta que o problema é antigo e vem de muito antes do atual governo.

Não há só críticas negativas. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, diz que "de forma alguma perdemos a confiança no governo". Segundo ele, graças a medidas rápidas e eficazes que ajudaram o País a criar maior demanda no mercado, o setor escapou de impactos da crise internacional nos últimos dois anos.

"Tivemos crises fortes nos Estados Unidos e na Europa e recuo de crescimento da China, os três principais compradores de produtos brasileiros", diz Moan. "O governo brasileiro minimizou possíveis consequências ao setor automotivo e à economia como um todo."

Em 2013, o empresário Abílio Diniz fez uma enfática defesa dos avanços econômicos e sociais alcançados pelo governo nos últimos 10 anos.

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