Paulo Whitaker/ Reuters
Paulo Whitaker/ Reuters

'Daqui a cinco anos, a gente se fala', diz Vélez, do Nubank, sobre queda nas ações

Papéis do banco digital acumulam perda de 65% neste ano

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2022 | 13h00

DAVOS - A forte queda das ações do Nubank, que este ano acumulam perda de 65%, não abalou os planos de David Vélez, fundador do banco digital. “Nossa tese não mudou”, disse a um pequeno grupo de jornalistas brasileiros no Fórum Econômico Mundial, em Davos. “Daqui a cinco anos, a gente se fala”, completou, emendando que a estratégia do banco digital é de longo prazo.

Só na América Latina, há 240 milhões de pessoas fora do sistema financeiro, disse Vélez. Ao mesmo tempo, o mercado bancário da região é de US$ 1 trilhão.

“O modelo de um banco digital é muito mais rentável do que o de um banco tradicional, que não tem agências.” Por isso, esse US$ 1 trilhão vai aumentar “exponencialmente”, completou Vélez. Mas para isso, leva tempo. “O jeito de entender a gente é o longo prazo. Continuamos focados na construção dessa estratégia.”

No curto prazo, ressaltou o executivo, tem o ambiente mais adverso, que está penalizando as fintechs e empresas de tecnologia no mundo todo. Perguntado sobre a perspectiva de recuperação dos preços das ações do Nubank, ele evitou falar.

Vélez ressaltou que a instituição está com bons resultados, crescendo, chegou a 60 milhões de clientes, mas ainda “é uma formiguinha”. Por ora, o foco da operação é Brasil, Colômbia e México. Só no Brasil, são 57 milhões de clientes. No México, é o maior emissor de cartões e, na Colômbia, há uma lista de espera de 1 milhão de pessoas interessadas no cartão. “Estamos muito à frente no digital. Essa tese não muda.”

Remuneração

Sobre a polêmica gerada pela remuneração da diretoria do Nubank, de R$ 802 milhões, por ser um valor muito acima da média dos bancos brasileiros, e dos quais Vélez ficará com a maior parte, o executivo disse que “é tudo ou nada”. Ou seja, esse valor vai depender do desempenho do banco. Se não for atingido, esse valor não existe.

Pela primeira vez em Davos, Vélez disse que o evento é uma oportunidade de ter contatos com outras fintechs, investidores internacionais e falar de parcerias. Ele contou que o Nubank investiu em um banco na Índia e no Paquistão e sempre recebe contatos de empreendedores de outros países querendo saber da história do Nubank para montar algo parecido em seus países.

Ignorado

Vélez fundou o Nubank em São Paulo e, segundo ele, por muito tempo foi ignorado pelos bancões. “Ninguém olhava a gente por três ou quatro anos”. Neste momento, o executivo citou uma frase atribuída a Gandhi: primeiro te ignoram; depois riem de você; depois brigam com você e depois você ganha.

No curto período de vida do Nubank, Vélez contou que o banco digital já passou por diversas crises no Brasil, desde os ruídos políticos que levaram ao impeachment da Dilma Rousseff, pela recessão e pelos anos de baixo crescimento.

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