Clayton de Souza
Clayton de Souza

Venda da Cesp prevê R$ 16,80 por ação e pode movimentar R$ 2 bi

Privatização da estatal paulista está prevista para o fim de setembro na Bolsa

Reuters

03 Agosto 2017 | 10h54

O edital de privatização da elétrica paulista Cesp prevê um preço de R$ 16,80 por ação para a venda do bloco de controle da companhia pelo governo do Estado de São Paulo, o que pode movimentar cerca de R$ 1,95 bilhão na licitação, prevista para acontecer em 26 de setembro na Bolsa brasileira, a B3.

O Conselho Diretor do Programa Estadual de Desestatização do governo de São Paulo aprovou na quarta-feira as condições para a licitação, conforme publicação no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira, enquanto o edital para a concorrência foi publicado no site da Secretaria da Fazenda paulista.

+ Governo de São Paulo marca leilão da Cesp para 26 de setembro

O leilão oferecerá a investidores as ações preferenciais do governo paulista no bloco de controle da Cesp, que representam 40,6% do capital social total da companhia. O certame deverá envolver ainda a oferta de ações ordinárias que representam cerca de 5% do capital da Cesp aos empregados da companhia.

O vencedor do leilão de privatização deverá se comprometer a comprar a totalidade das ações que eventualmente sobrem após a oferta aos empregados. A Cesp opera cerca de 1,65 gigawatt em hidrelétricas no Estado de São Paulo.

O governo paulista vinha há tempos ensaiando uma privatização da estatal, e retomou os planos no ano passado, após uma melhoria do ânimo de investidores em relação a ativos no setor elétrico do Brasil, que ofereceu uma perspectiva de melhor arrecadação na venda da companhia.

Receita. O futuro controlador da Cesp deverá compartilhar com o governo paulista e outros potenciais vendedores valores adicionais obtidos pela companhia no futuro, como indenização pelo término das concessões de Três Irmãos, e de Ilha Solteira e Jupiá. Trata-se de uma cláusula conhecida como "earn-out", que compensa os vendedores em relação a potenciais lucros futuros, ao mesmo tempo em que estimula o novo controlador a "uma melhora de desempenho".

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, Hélcio Tokeshi explicou que o mecanismo foi embutido para que se reverta para os atuais acionistas os potenciais ganhos nos valores controversos referentes a essas usinas e ao mesmo tempo gere um incentivo ao novo controlador, "para que haja empenho em ganhar".

O Broadcast já havia antecipado que o Estado de São Paulo tendia a estabelecer um mecanismo de earn-out para ganhos se houver o recebimento de valores adicionais, enquanto os valores incontroversos seriam incorporados no valor de venda da companhia.

Conforme previsto na minuta do contrato de compra e venda de ações, os compradores deverão pagar ao governo paulista, "a título de ajuste do Preço de Compra", o valor correspondente a 40,557% de quaisquer créditos que sejam recebidos a título de indenização pelo término das concessões das três usinas e que superem, individualmente, o montante incontroverso para cada concessão vencidas.

O pagamento também deverá ser feito aos demais acionistas da Cesp que aderirem à Oferta Pública de Aquisição (OPA), no âmbito da mudança de controle, na proporção de no mínimo 80% do valor do ajuste por ação que vier a ser pago ao Estado de São Paulo, no caso de acionistas titulares de ações ON, e de 100% do valor do ajuste por ação para acionistas detentores de PNBs.

Os pagamentos serão feitos a valores líquidos de tributos sobre a renda e receita, custas processuais, honorários advocatícios e honorários da Cesp pela manutenção dos processos (no montante de 1% do montante que supere o valor incontroverso).

O contrato estabelece que o novo controlador poderá contratar novos advogados para ajudar no caso ou substituir os escritórios responsáveis pelos processos, mas o Estado de São Paulo deverá aprovar o movimento. Da mesma forma, eventual acordo judicial ou extrajudicial no âmbito desses processos deverá ser submetido ao crivo estatal.

O tratamento dado pelo governo paulista para os processos judiciais envolvendo as três usinas era uma questão bastante aguardada pelo mercado. No caso de Três Irmãos, a Cesp reivindica o direito de receber R$ 3,5 bilhões (a preço de abril/2013), correspondente ao valor residual contábil do ativo anotado à época. A União se propõe a pagar R$ 1,7 bilhão (a preço de 2012).

Já no caso de Ilha Solteira, o governo federal definiu, em outubro de 2015, o montante de R$ 2,03 milhões como indenização a ser paga, enquanto para Jupiá, entendeu que não haveria valor a indenizar. A Cesp reivindica, porém, uma indenização ao um custo histórico atualizado destes dois ativos de R$ 1,561 bilhão. A valores atualizados, o montante incontroverso somaria R$ 2,8 bilhões.

O edital esclarece que a avaliação econômico-financeira da companhia considerou a "identificação de variáveis críticas e análise de sensibilidade, em especial, as demandas, no polo passivo e ativo, junto ao Governo Federal no tocante as indenizações por investimentos realizados", além do valor presente líquido do fluxo de caixa livre operacional para os acionistas derivado das atividades operacionais até o final dos contratos de concessão e a avaliação dos custos operacionais da empresa.

Além disso, foi realizado um estudo comparativo dos valores obtidos na avaliação econômico-financeira com os de outras operações de venda de ativos similares no âmbito nacional e internacional. /COM LUCIANA COLLET

Mais conteúdo sobre:
Cesp

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.