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Lotex atrai interesse de 4 grupos estrangeiros

Segundo secretário da Fazenda, empresas nacionais não atendem ao edital da raspadinha, que prevê outorga mínima de R$ 542 milhões

Altamiro Silva Junior, Impresso

24 Abril 2018 | 04h00

O novo secretário de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loteria do Ministério da Fazenda, Alexandre Manoel Angelo da Silva, disse ontem ao ‘Estadão/ Broadcast’ que as quatro maiores empresas de loteria do mundo - IGT, Scientific Games, Tactics e Intralot - já demonstraram ao governo a intenção de participar da operação de venda da Loteria Instantânea Exclusiva (Lotex), que tem leilão marcado para 14 de junho na B3 (a bolsa de valores de SP).

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Pelos parâmetros do edital de venda, as empresas nacionais não atendem os requisitos mínimos, segundo Manoel. Por isso, um cenário possível para a venda é a associação de uma estrangeira com uma empresa local, que atualmente produzem, imprimem ou comercializam os bilhetes. As empresas do exterior devem vir principalmente de EUA, Europa e Austrália.

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Operadores de loteria da Ásia chegaram a procurar o governo na primeira fase dos road shows, que foram em Londres e Las Vegas, antes da publicação do edital, disse o secretário. Nos road shows feitos após o edital, que saiu no início deste mês, elas ainda não procuraram, como já fizeram as norte-americanas e europeias. Manoel conta que as companhias dos EUA e Europa chegaram a dar sugestões na consulta pública do processo de venda.

A venda da Lotex, com outorga mínima de R$ 542 milhões, pode mais que dobrar o tamanho do mercado de loterias no Brasil, disse o secretário. Hoje esse setor representa 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e a projeção é que essa participação pode chegar a 0,5% em cinco anos. Manoel ressalta que o governo tem o monopólio do setor de loteria instantânea (as raspadinhas) desde 1962 e a venda da Lotex deve estimular a competição.

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Este mercado movimenta cerca de US$ 300 bilhões por ano no mundo e é dominado por “três ou quatro” grandes operadores, que respondem por 80% do setor, segundo o secretário. No Brasil, gira entre US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões.

Sem a Caixa. O secretário participou ontem em São Paulo do ‘5ª Brazilian Gaming Congress - Driving Consensus for Legislative Progress in 2019’. No mesmo evento, o chefe do Departamento de Privatização do BNDES, Guilherme Albuquerque, ressaltou que a Caixa não poderá participar do leilão.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já fez duas reuniões com potenciais interessados na Lotex. A última ocorreu no Rio de Janeiro, dia 17. Na semana anterior, havia sido em São Paulo. Pelas conversas com os investidores, Albuquerque afirma que o governo “tem convicção que o leilão em junho terá sucesso relevante”.

“Este mercado tem grande potencial de crescimento” disse o executivo do BNDES, ressaltando que o gasto per capita no Brasil com loterias é de US$ 18, enquanto no mundo é de US$ 40. “O Brasil é um dos maiores mercados inexplorados de loteria instantânea no mundo.”

Na prática, a concessão da Lotex representa a retirada do negócio de loteria instantânea das mãos da Caixa. O banco público, no entanto, manterá as demais modalidades lotéricas.

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