Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Venda de veículos cai 7,1% em 2014, o pior resultado em 12 anos

Indústria registrou queda nas vendas totais durante o ano apesar da corrida às concessionárias em dezembro, motivada pela volta do IPI

Cleide Silva, O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2015 | 21h26

O aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) a partir deste mês provocou uma corrida às lojas fazendo com que dezembro se tornasse o terceiro melhor mês da história da indústria automobilística, com 370 mil veículos licenciados. Apesar do resultado, o ano terminou com queda de 7,1% nas vendas totais, que somaram 3,5 milhões de unidades, incluindo caminhões e ônibus. Em porcentual, foi a maior queda registrada pela indústria automobilística em 12 anos.

Também foi a segunda redução anual seguida. Em 2013, as vendas já tinham caído 0,9% em relação a 2012, depois de altas consecutivas desde 2004. Apesar do bom desempenho de dezembro, com resultado 25,6% superior ao de novembro e 4,6% maior que o do mesmo mês de 2013, o setor inicia o novo ano com altos estoques, segundo fontes das empresas, e pressionado pela volta do IPI.


A cobrança integral da alíquota do imposto, que estava reduzido desde maio de 2012, deve ter um impacto médio de 4,5% nos preços dos automóveis, mas, com os estoques altos é possível que o repasse ao consumidor ocorra só a partir do fim do mês ou início de fevereiro. Na revenda Fiat Amazon, na região oeste de São Paulo, por exemplo, há estoques com o IPI antigo por pelo menos 20 dias. 

Melhor resultado em vendas desde agosto de 2012 - quando foram vendidas 420 mil unidades -, o número de dezembro não é indicativo de recuperação do mercado, diz o vice-presidente da Ford América do Sul, Rogelio Golfarb. “O que ocorreu foi uma antecipação de compras, reforçada pela volta do IPI e promoções das empresas”. 

O executivo ressalta que lidar com a volta do IPI será um grande desafio para as fabricantes, mas o setor concorda que, embora duro, o ajuste fiscal que a nova equipe econômica do governo propõe, e que inclui o fim de benefícios fiscais, é necessário. “Para uma indústria que investe muito pensando no longo prazo, a solidez macroeconômica é fundamental”, diz Golfarb.

A Ford previa um mercado estagnado em 2015, mas está revendo suas projeções e “o viés é de baixa”, informa Golfarb. Além do IPI maior, ele ressalta outras medidas como alta dos juros e menos aportes no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - que subsidia vendas de caminhões e tratores - como fatores de inibição de vendas.

O executivo ressalta ainda as dificuldades de importação de componentes sem similares nacionais com a alta do dólar. A esperada melhora nas exportações em razão do câmbio não deve ocorrer no curto prazo. Os principais compradores de carros brasileiros, como Argentina e Venezuela também estão em crise, e aqueles em melhores condições, como Chile e Colômbia são dominados por produtos asiáticos, cujos preços são bem mais competitivos.

Ranking. Só em automóveis e comerciais leves foram vendidos no ano 3,332 milhões de unidades, 6,9% menos que em 2013. A Fiat manteve-se como líder de mercado pelo 13º ano, com 20,9% de participação nas vendas.

A General Motors ficou em segundo lugar, com 17,4% das vendas, e a Volkswagen, pela primeira vez, fechou em terceiro, com 17,3%. Em nota, a empresa informou que promove ampla renovação de sua gama de produtos e que, nesse cenário, “é natural que as vendas possam não acompanhar o mercado, mas representa uma preparação, já em fase final, da empresa para o futuro, apoiada em um plano de investimentos de R$ 10 bilhões até 2018.”

A Ford permaneceu em quarto lugar Ford, com 9,2% das vendas. Hyundai e Renault disputaram palmo a palmo a quinta colocação e ambas fecharam o ano com 7,1% de participação, mas a Hyundai deixou a Renault no sexto posto com uma diferença de 247 carros. 

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