TASSO MARCELO/AGENCIA ESTADO/AE
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Vendas da Ambev caem 8,5% no Brasil, pressionadas pela cerveja

Entre janeiro e março, volume da bebida comercializado no País teve retração de 10%; lucro da gigante AB InBev despencou 63,3% no período devido ao fraco resultado brasileiro

Dayanne Sousa, O Estado de S. Paulo

04 de maio de 2016 | 08h47

SÃO PAULO - As operações brasileiras da Ambev registraram queda de 8,5% no volume de bebidas vendido no primeiro trimestre de 2016, passando para 26,808 milhões de hectolitros ante volume de 29,294 milhões em igual período do ano passado. O desempenho foi resultado de uma queda tanto nas vendas em volume de cervejas como de refrigerantes e bebidas não alcoólicas.

Entre janeiro e março, o volume de cerveja comercializado no Brasil teve retração de 10%, somando 19,867 milhões de hectolitros. Já o segmento de refrigerantes e bebidas não alcoólicas apresentou retração de 3,8% no volume no período, chegando a 6,940 milhões de hectolitros no primeiro trimestre de 2016.

A receita líquida consolidada oriunda do Brasil caiu 4% no período, somando R$ 6,258 bilhões contra R$ 6,518 bilhões em igual período do ano passado. A queda ocorreu apesar do aumento verificado na receita líquida por hectolitro (ROL/hl), que cresceu 4,9%, para R$ 233,4 ante R$ 222,5 na mesma base de comparação.

Já Custo do Produto Vendido (CPV) teve queda de 2,9%, totalizando R$ 2,013 bilhões no primeiro trimestre, enquanto o CPV por hectolitro (CPV/hl) subiu 6,1%, para R$ 75,1. As despesas com vendas, gerais e administrativas consolidadas das operações no Brasil cresceram 1,6%, para R$ 1,991 bilhão.

Multinacional. A fraca operação no Brasil fez a Anheuser-Busch InBev (AB InBev) ter um lucro líquido de US$ 844 milhões no primeiro trimestre do ano, significativamente menor (-63,3%) que o ganho de US$ 2,3 bilhões obtido em igual período de 2015. A multinacional de bebidas e cervejas atribuiu o ganho menor a oscilações cambiais desfavoráveis, a custos financeiros extraordinários e aos resultados brasileiros.

Na mesma comparação, a receita da AB InBev caiu para US$ 9,4 bilhões, de US$ 10,45 bilhões um ano antes, vindo abaixo da previsão dos analistas, de US$ 10,04 bilhões.

"O Brasil enfrentou um de seus trimestres mais desafiadores em muitos anos", comentou o diretor financeiro da AB InBev, Felipe Dutra, durante teleconferência. Dutra não especificou a perda de participação no Brasil, mas disse esperar que esse seja um fenômeno de curto prazo.

Somente a Ambev reportou um lucro líquido de R$ 2,766 bilhões no primeiro trimestre de 2016, valor que representa uma queda de 1,6% ante igual período do ano passado. Este resultado é o atribuído a participação dos controladores.

Cerveja. A Ambev afirmou que perdeu fatia de mercado no período, mas não deu detalhes. "Apesar da tendência positiva de preferência por nossas marcas, os aumentos de preço devido a inflação e aumentos de impostos levaram a uma dinâmica de market share desafiadora que acreditamos ser temporária", disse a empresa em sua divulgação de resultados.

A queda no volume de cerveja vendido pela Ambev foi maior do que a da média do mercado. No primeiro trimestre, produção brasileira de cerveja caiu 6,8% ante igual período de 2015, segundo dados do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), da Receita Federal.

Isoladamente, as receitas provenientes das vendas de cerveja no País caíram 4,6%, alcançando R$ 5,309 bilhões no trimestre. No indicador de receita líquida por hectolitro (ROL/hl), a alta foi de 6%, para R$ 267,3.

A queda na receita ocorreu devido ao "ambiente macroeconômico adverso e uma difícil base de comparação devido ao Carnaval antecipado e a aumentos de preço para mitigar impostos", comentou a Ambev em sua divulgação de resultados. 

A empresa destacou ainda que o preço médio foi impulsionado por uma maior presença de cervejas premium, mas considerou que esse efeito foi parcialmente compensado por um maior peso das vendas em embalagens de vidro retornáveis.

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