Mike Segar /Reuters
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Vendas da Tiffany caem pela 1ª vez em 5 anos

Alta da moeda americana diminuiu as compras dos turistas, responsáveis por cerca de 40% das vendas apenas em Nova York

O Estado de S. Paulo

20 de março de 2015 | 21h56

NOVA YORK - As ações da joalheria Tiffany & Co., eternizada pela atriz Audrey Hepburn no filme que recebeu o título Bonequinha de Luxo no Brasil, tiveram queda nesta sexta-feira depois que a empresa anunciou que suas receitas cairão pelo menos 30% no primeiro trimestre e que espera apenas um “crescimento mínimo” ao fim de 2015.

As vendas globais da empresa totalizaram US$ 1,3 bilhão no último trimestre de 2014. O resultado, apesar de ter vindo em linha com as perspectivas divulgadas por analistas, representou a primeira queda de receitas trimestrais da companhia em cinco anos. As vendas caíram 1% em relação ao mesmo período do ano passado. Caso o dólar não tivesse se valorizado tanto, no entanto, as vendas teriam subido 3% na mesma comparação, disse a companhia.

Apesar da queda nas vendas, a Tiffany anunciou que seu lucro líquido no período de três meses encerrado em 31 de janeiro foi de US$ 196 milhões, equivalente a US$ 1,51 por ação. De qualquer forma, o resultado foi melhor do que a perda líquida de US$ 104 milhões, ou US$ 0,81 por ação, no mesmo período do ano anterior.

As declarações da empresa levaram as ações da Tiffany & Co. à queda de 3,98% no fim do pregão desta sexta-feira da Bolsa de Nova York, cotadas a US$ 82,93. Desde o início de 2014, as ações acumulam perdas de mais de 18%.

Justificativas. A Tiffany atribuiu as perspectivas pessimistas principalmente ao dólar cada vez mais forte, que tirou o poder de compra de turistas que visitam os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, também reduziu o valor a ser repatriado com as vendas nas lojas ao redor do mundo.

Cerca de um quarto das vendas das lojas da Tiffany em território americano são feitas a turistas, explicaram nesta sexta-feira executivos da companhia. Na tradicional loja da Quinta Avenida, em Nova York, os turistas respondem por aproximadamente 40% do movimento.

Os gastos de turistas entre novembro e janeiro ficaram em US$ 34,55 bilhões, uma queda de 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o Escritório Oficial das Indústrias de Viagem e Turismo.

“As compras de turistas devem continuar a sofrer pressão nas Américas”, disse Ralph Nicoletti, diretor financeiro da Tiffany & Co., em uma teleconferência realizada após a divulgação dos resultados.

“Agora está claro que a Tiffany está sendo afetada pelas incertezas da economia global, em especial o efeito do dólar forte na conversão das receitas auferidas em outras moedas e nos gastos de turistas estrangeiros em território americano”, disse o presidente da Tiffany, Frederic Cumenal. “Como resultado disso, nós adotamos uma perspectiva conservadora em relação ao planejamento do próximo ano.”

Já Mark Aaron, vice-presidente de relações com investidores da Tiffany, afirmou a analistas do mercado financeiro na manhã desta sexta-feira que a empresa espera “ventos desfavoráveis” caso a tendência de valorização do dólar frente a outras moedas se mantenha ao longo de 2015.

Alento?. Apesar do resultado ruim no primeiro trimestre e das perspectivas negativas para a receita ao longo de 2015, a empresa espera que seu lucro possa crescer 10% no segundo semestre. A companhia prevê ganhos mínimos anualizados de US$ 4,20 por ação.

O analista Brian Yarbrough, da consultoria Edward Jones, afirmou considerar muito difícil que a Tiffany consiga cumprir essas metas de lucros. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS 

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