Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

Vendas do Carrefour no Brasil crescem 9,9% no 1º trimestre

Movimento nas lojas abertas há mais de um ano cresceu quase dois dígitos no Brasil; desvalorização do real, no entanto, fez o faturamento cair

Fernando Nakagawa e Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2016 | 12h14

LONDRES - As vendas do Carrefour Brasil cresceram 9,9% no primeiro trimestre ante igual período do ano passado. Em meio à recessão vivida pelo País, o aumento foi exaltado pela direção da varejista durante teleconferência para divulgação dos números trimestrais. A alta, porém, ficou apenas um pouco acima da inflação e, quando o caixa da empresa é convertido para euros, o faturamento do Carrefour Brasil caiu 12,5% diante da desvalorização do real - o pior desempenho entre todas as filiais detalhadas no balanço.

Balanço divulgado nesta sexta-feira, 15, mostra que, com câmbio constante, o movimento nas lojas abertas há mais de um ano cresceu quase dois dígitos no Brasil. "Na América Latina, continuamos com um quadro favorável, mesmo com o ambiente negativo. No Brasil, crescemos em todos os formatos: hipermercados, supermercados, lojas de conveniência e no Atacadão. Todos continuam mostrando números fortes", disse aos analistas o diretor financeiro do grupo, Pierre Jean Sivignon.

O executivo reconheceu, porém, que a alta nas vendas ficou apenas um ou dois pontos porcentuais acima da inflação. Ao ser questionado por um analista que confrontou as vendas com a inflação que girou em torno de 11% no período, Sivignon respondeu que a inflação de alimentos foi um pouco menor. "Esse número que você citou se refere à inflação total. O aumento dos alimentos ficou abaixo de 10%. Estimamos que a alta de alimentos tenha ficado entre 8% e 9%", disse.

O pior impacto, porém, foi gerado pelo câmbio. Com a perda de valor do real brasileiro acumulada ao longo do último ano, o faturamento do Carrefour Brasil com câmbio corrente caiu 12,5%, para 2,665 bilhões de euros. O balanço mostra que o faturamento em euros do Brasil foi o que mais caiu entre todas as filiais do grupo. Sivignon disse que o câmbio tem gerado "impacto significativo" no Brasil.

Apesar da queda, a filial ainda tem o maior faturamento entre todas as subsidiárias fora da França. Ao ser questionado por um analista sobre a situação econômica e política no Brasil, Sivignon respondeu apenas que o grupo reafirma a aposta pelo multiformato das lojas e o foco em alimentos. "Sou a última pessoa a comentar a economia no Brasil. Sei que está ligada à situação política que atualmente está em curso. Mas nós continuamos a nortear nosso crescimento em duas claras frentes: multiformatos e alimentos. E estamos atentos à moeda."

Câmbio. O enfraquecimento das moedas emergentes pesou sobre os números do varejista francês Carrefour. Mesmo com o aumento no volume vendido nas lojas, o efeito negativo da desvalorização do real brasileiro e do peso argentino anulou o maior movimento e o primeiro trimestre terminou com queda 4,3% no faturamento ante igual período de 2015, para 20,05 bilhões de euros. O número veio ligeiramente superior à previsão dos analistas, de 20 bilhões de euros.

Entre janeiro e março, o total vendido nas lojas abertas há mais de um ano em todo o mundo cresceu 3,1% na comparação com igual período do ano passado. Os negócios internacionais foram os responsáveis por esse avanço, já que o conjunto das filiais teve alta de 5,3%. Isso mais que compensou a estagnação na França, onde o movimento não cresceu na comparação com 2015.

Além das moedas mais fracas, o faturamento do grupo Carrefour também foi prejudicado pela queda no movimento dos postos de gasolina que levam a marca da varejista em todo o mundo. Segundo o balanço, o item combustíveis gerou impacto negativo adicional de 1,2%.

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