Vendas do varejo têm a maior queda para março desde 2003, diz IBGE

Vendas recuaram 1,1% em março de 2014 em relação ao mesmo mês do ano anterior; foi a primeira queda depois de 12 meses de crescimento

Antonio Pita, da Agência Estado,

15 de maio de 2014 | 09h00

Texto atualizado às 14h37

RIO - As vendas do varejo caíram 1,1% em março deste ano em relação ao mesmo mês do ano anterior, a maior queda já registrada para o mês nesta comparação desde 2003, segundo dados do Sistema Sidra do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação a fevereiro deste ano, o comércio varejista recuou 0,5%. Apesar disso, o resultado é positivo no fechado do primeiro trimestre - altas de 0,4% em relação aos últimos três meses de 2013 e de 4,5% contra um ano antes.

Um menor ritmo da economia, com menos crédito e inflação alta, além do impacto do calendário de Carnaval no período, são as razões para o fraco desempenho das vendas em março. "Na medida em que as variáveis econômicas e as políticas governamentais vão se comportando diferente e um pouco aquém do que aconteceu em 2013, é natural que o comércio reflita isso", avalia a pesquisadora Aleciana Gusmão, responsável pelos dados.

O resultado foi fortemente influenciado pela queda nas vendas no segmento de supermercados, alimentos e bebidas, que teve queda de 2,8% na comparação com março de 2013. Esse segmento foi afetado pelo calendário, com a realização do carnaval em março, e pela base de comparação alta com 2013, quando, neste mês, houve a Páscoa.

Os demais segmentos que puxaram o indicador para baixo, entretanto, estão associados à piora no cenário econômico. O segmento de tecidos, vestuário e calçados teve queda de 7,3% nas vendas na comparação anual. No segmento de equipamentos e materiais de escritório, que inclui produtos de informática, houve queda de 4,9% nas vendas, influenciadas pela alta dos preços.

"Até abril de 2013, os produtos de informática apresentavam deflação, mas desde então têm subido gradativamente, acima das taxas de inflação medidas pelo IPCA", explica Gusmão. O mesmo vale para o segmento de livros, jornais revistas e papelaria, que registrou queda de 8,2% nas vendas e influenciou o item.

Entre os oito segmentos pesquisados, apenas três tiveram resultados positivos de vendas. A principal alta foi registrada no segmento de farmacêuticos, 9,6%. Em seguida vieram os segmentos de combustíveis (4%) e móveis e eletrodomésticos (3,8%).

Varejo ampliado. Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas caíram 1,2% em março ante fevereiro, na série com ajuste sazonal.

Na comparação com março do ano passado, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram baixa de 5,7% em março deste ano. Nesse confronto, as projeções indicavam queda entre 3% e 6,7%, com mediana negativa de 4,7%. Até março, as vendas do comércio varejista ampliado acumulam altas de 2,1% no ano e de 3,2% nos últimos 12 meses.

As vendas caíram 0,2% em no primeiro trimestre de 2014 em relação ao último trimestre de 2013, na série com ajuste sazonal. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas (-2% a 2,70%). Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, sem ajuste, as vendas do varejo ampliado tiveram alta de 2,1% nos três primeiros meses deste ano.

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