Vendas no varejo crescem 0,5% em junho, informa IBGE

Na comparação com junho de 2012, as vendas do varejo cresceram 1,7%, o pior resultado desde junho de 2003

Mônica Ciarelli, da Agência Estado,

14 de agosto de 2013 | 09h17

As vendas do comércio varejista restrito cresceram 0,5% no mês de junho em relação a maio, na série com ajuste sazonal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta quarta-feira, 14. O resultado veio dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que esperavam um resultado que variava entre uma queda de 0,20% e uma alta de 1,80%, com mediana de 0,60% para a margem.

Na comparação com junho de 2012, as vendas do varejo cresceram 1,7%, o pior resultado desde junho de 2003. Até junho, as vendas do varejo restrito acumulam alta de 3,0% no ano e de 5,5% nos últimos 12 meses. Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção e de veículos, as vendas cresceram 1,0% em junho sobre maio, na série com ajuste sazonal. O resultado do semestre é a menor variação desde 2005.

A coordenadora de Serviços e Comércio do instituto, Aleciana Gusmão, explica que o governo vem tirando os incentivos ao consumo, que ajudaram a impulsionar as vendas no ano passado, como a redução do IPI sobre veículos, móveis e eletrodomésticos.

Além disso, destaca, o crescimento mais lento da renda das famílias e o menor volume de crédito também influenciaram o resultado. A inflação é outro ingrediente que tem limitado a expansão das vendas no varejo este ano.

O preço dos alimentos, segundo ela, vem alterando o hábito dos consumidores, que estão optando por produtos mais baratos ou reduzindo o total de itens comprados. O movimento fez o segmento de hipermercado e supermercado registrar queda de 0,4% perante maio e de 0,8% na comparação com junho do ano passado.A técnica lembrou que o preço dos alimentos acumula nos últimos 12 meses uma alta de 13,6% no IPCA, enquanto o índice total registra uma expansão de 6,7% no mesmo período.

Com esse resultado, o setor perdeu a liderança na composição do índice e passou de primeiro para último lugar, contribuindo negativamente com 24% da taxa. Quem ocupou a liderança no mês foi combustíveis, que contribuiu com 48% na formação do indicador de vendas no varejo.

Já a recente disparada do dólar tem afetado o comportamento das vendas de equipamentos e material de informática. O segmento apurou retração de 0,5% em junho sobre maio. A técnica explicou que a atividade vem registrando retração desde março, muito influenciado pela alta do dólar frente ao real. A variação cambial tem encarecido as importações de componentes, o que diminui a demanda no segmento.

Setores. O IBGE registrou em junho crescimento nas vendas do varejo em seis das dez atividades pesquisadas, com ajuste sazonal. Segundo o instituto, o aumento das vendas foi puxado pelo segmento de combustível e lubrificantes, com alta de 8,2% frente ao registrado em igual período do ano passado. O movimento, ainda de acordo com o IBGE, refletiu a variação no preço do combustível. Outro destaque foi o segmento de artigos de uso pessoal e doméstico, com avanço de 7,8% no mesmo período.

No varejo ampliado, o IBGE ressaltou que o segmento de veículos, motos e peças cresceu 0,9% sobre maio, mas amargou uma retração de 9,3% frente a junho do ano passado. Para o instituto, o resultado pode ser explicado pelo efeito base, uma vez que a redução do IPI para automóveis foi anunciada pelo governo no fim de maio de 2012 e começou a fazer efeito nas vendas de junho. Na época, o setor registrou alta de 20,7%.

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