Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Vendas de passagens de ônibus pela internet impulsionam operação da francesa BlaBlaCar no Brasil

Startup quer chegar a R$ 10 milhões em vendas de passagens por mês até o fim do ano, com cerca de 150 operadoras de ônibus

Filipe Serrano, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2021 | 08h05

O avanço da vacinação no Brasil e o retorno das viagens interestaduais têm animado os executivos da BlaBlaCar no Brasil, empresa francesa de tecnologia conhecida por seu aplicativo de viagens de carona. Com a perspectiva de retomada, a BlaBlaCar - a startup mais valiosa da França - aposta agora em um serviço online de vendas de passagens de ônibus para crescer. 

Inaugurada em outubro do ano passado, a plataforma oferece passagens de 75 operadoras de ônibus no Brasil, com opções de cerca de 8 mil rotas intermunicipais, segundo a empresa. A meta é dobrar o número de parcerias e chegar a 150 empresas no sistema até o fim do ano, segundo Frédéric Ollier, novo vice-presidente da unidade de ônibus da BlaBlaCar na América Latina.

"O objetivo é gerar R$ 10 milhões por mês em vendas de passagens rodoviárias até o fim de 2021. Esse é o desafio atual. É a consolidação dessa plataforma multimodal única da BlaBlaCar no Brasil", afirmou ele. Segundo Ollier, as vendas de passagens rodoviárias hoje estão na faixa dos R$ 7 milhões mensais. 

Disputa acirrada 

A aposta da BlaBlaCar no mercado de ônibus ocorre em meio a uma corrida de empresas de tecnologia pelo mercado de transporte rodoviário de passageiros. Startups como a ClickBus, que já oferecia a venda de passagens online, começaram a ganhar novos concorrentes nos últimos anos. Uma delas é a empresa mineira Buser, que é considerada uma espécie de "Uber do ônibus" e vende serviços de transporte de empresas de fretamento. Outra que pretende estrear no Brasil é a alemã FlixBus, que opera com o mesmo modelo da Buser. 

Ollier, da BlaBlaCar, espera que com a vacinação as pessoas voltem a viajar com mais frequência usando o transporte rodoviário, o que pode acelerar a retomada do setor. Durante a pandemia, muitas empresas de transporte rodoviário tiveram quedas de 50% a 70% na frequência de passageiros e a demanda ainda não se recuperou, segundo ele. 

O executivo aposta que a digitalização dos serviços de transporte deve se acelerar com o retorno da demanda, e os passageiros irão procurar cada vez mais uma forma de comprar suas passagens de ônibus pela internet. Segundo a Associação Brasileira de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), 80% das passagens vendidas no País são compradas fisicamente, no guichê das operadoras em rodoviárias ou pontos de venda. O mercado brasileiro é estimado em US$ 4 bilhões, e a BlaBlaCar espera capturar uma parte dele uma vez que as pessoas passem a comprar mais passagens online. 

"A gente acredita muito na transição do offline para o online. Existe uma avenida de crescimento bastante rápida que vai alimentar a nossa expansão", diz Ollier. "Estamos construindo essa visão desde 2018, fazendo alguns testes com serviços de ônibus na Europa. E compramos também uma empresa na Rússia que tem uma plataforma de reserva de ônibus, que nos ajudou a ter uma infraestrutura técnica para conectar melhor as empresas de ônibus e participar da distribuição de forma eficiente. Hoje faz parte desse plano ter essa plataforma técnica pronta e poder escalar no mundo inteiro."

Segundo o executivo, 80% das vendas de passagens por meio da plataforma da empresa se concentram na Região Sul. Mas ele diz que planeja expandir a atuação para outros estados com o crescimento no número de operadoras este ano. Ele afirma que a empresa está em negociação com cerca de 300 companhias. 

Fundada em 2006, na França, a BlaBlaCar cresceu oferecendo um aplicativo de caronas, para que passageiros pudessem encontrar pessoas que oferecessem caronas para viagens de longa distância. Hoje a empresa tem 90 milhões de usuários em 22 países, sendo 8 milhões no Brasil, um dos principais mercados. 

Mais recentemente a empresa passou a oferecer também serviços de transporte de ônibus na Europa, após a compra de uma plataforma de vendas de passagens da Rússia. A empresa também adquiriu o controle de uma operadora de ônibus na França e passou a realizar as viagens rodoviárias em ônibus com a sua própria marca. No ano passado, a startup trouxe a plataforma de vendas online de passagens para o Brasil. 

Em abril, a empresa recebeu um aporte de US$ 115 milhões em uma rodada de investimentos liderada pelo fundo VNV Global. Segundo Frédéric Ollier, um dos objetivos agora é usar parte dos recursos para sustentar a expansão da operação de ônibus da empresa, sendo o Brasil um dos principais mercados. 

"Nossa plataforma de carona estava crescendo 100% ao ano antes da covid-19no Brasil. A gente já tinha uma posição privilegiada. Agora, a ideia é realmente continuar a agregação de oferta (de serviços de transporte). E trabalhar as questões de preço de maneira inteligente, para trazer mais clientes para a nossa plataforma, e fomentar a transição do offline para o online", afirma. 

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