Venezuela pretende cumprir prazo com Petrobrás

Estatal venezuelana tem até  agosto para pagar pela participação em joint venture de refino, segundo informou o presidente da companhia brasileira, José Sergio Gabrielli

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

26 de julho de 2011 | 16h38

A estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) pretende cumprir o prazo final para financiar sua participação na joint venture de refino com a Petrobrás, afirmou o ministro do Petróleo venezuelano, Rafael Ramirez. No início do dia, o presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, disse que a PDVSA tem até agosto para pagar pela participação. O objetivo é que a estatal brasileira detenha participação de 60% na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, que terá capacidade de produzir 230 mil de barris por dia. A PDVSA teria os 40% restantes.

Se a PDVSA abandonar o projeto, a Petrobrás reservou recursos para o custo total da construção da refinaria: US$ 15 bilhões previstos em seu Plano de Negócios 2011-2015, disse Gabrielli. Sem a companhia venezuelana no empreendimento, a Petrobrás será capaz de poupar algum dinheiro por não ter de instalar o equipamento especializado para processar petróleo pesado do campo venezuelano de Carabobo, na bacia de Orinoco.

Ramirez, que também é presidente da PDVSA, afirmou que prevê que os campos da bacia de Orinoco da companhia, que são em grande em parte inexplorados e estão entre as maiores reservas do mundo, produzirão 146 mil barris de petróleo por dia até o final de 2011.

A Venezuela precisa de cerca de US$ 80 bilhões em investimento para desenvolver o cinturão de petróleo pesado do Orinoco, afirmou o ministro. A Venezuela necessita que empresas estrangeiras invistam uma grande soma para extrair e converter o óleo pesado da região numa commodity exportável e utilizável. No entanto, existem dúvidas sobre como e quandoo país será capaz de fazer isso. Ramirez afirmou que a região deve produzir 146 mil barris de petróleo por dia até o fim do ano. Mas os temores de desapropriações e pesadas regulamentações do governo têm feito os investidores abandonarem o país.

Dívidas

A PDVSA devia aos seus fornecedores US$ 10,9 bilhões no ano passado, segundo auditoria divulgada nesta terça-feira, 26, sobre os resultados de 2010. A companhia encerrou o ano passado com dívidas de US$ 24,9 bilhões, disse o presidente da estatal e ministro do Petróleo venezuelano, Rafael Ramirez.

A petroleira tem sido criticada por diminuir a produção, assumir uma grande dívida e se subfinanciar em favor dos programas sociais do presidente Hugo Chávez. Em 2011, a PDVSA já vendeu US$ 8 bilhões em bônus e deve transferir até US$ 15 bilhões para um fundo de desenvolvimento controlado por Chávez. "Nossa responsabilidade é contribuir com o tesouro nacional e o desenvolvimento social", disse Ramirez.

Apesar dos problemas, a PdVSA tem sido uma fonte de boas notícias para a Venezuela nas últimas semanas. A Agência Internacional de Energia (AIE) revisou seus métodos de contabilidade para a produção venezuelana de petróleo, levando a um aumento nas estimativas. Além disso, na semana passada a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) divulgou que as reservas comprovadas da Venezuela superaram as reservas da Arábia Saudita em 2010 e se tornaram as maiores do mundo.

Em 2010, a PdVSA teve uma receita bruta de US$ 94,9 bilhões, alta de 28,5% em relação a 2009. Enquanto isso, o lucro líquido caiu para US$ 3,1 bilhões, de US$ 4,4 bilhões. As informações são da Dow Jones.

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