Márcio Fernandes|Estadão
Márcio Fernandes|Estadão

Via Varejo e CNova vão combinar ativos no País

Intenção de unir as operações já tinha sido anunciada em maio, meses após a empresa de comércio eletrônico detectar fraudes no Brasil

Dayanne Sousa, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2016 | 05h00

A Via Varejo, companhia de eletroeletrônicos dona da Casas Bahia e Ponto Frio, e a CNova, empresa de comércio eletrônico, ambas controladas pelo grupo francês Casino, anunciaram nesta segunda-feira, 8, acordo para a combinação de seus negócios no Brasil.

Em maio, as duas empresas já tinham divulgado intenção de unir suas operações com objetivo de simplificar estrutura de governança e relações comerciais entre elas, além de ganhos de sinergia, meses após as descoberta de fraudes detectadas na CNova. Em julho, a companhia de e-commerce informou que essas irregularidades levarão o grupo a fazer um ajuste de R$ 512 milhões em seu balanço.

O sinal verde para a integração das lojas físicas da Via Varejo, que é controlada pelo grupo Pão de Açúcar (GPA), com o comércio eletrônico da CNova foi dado ontem pelos comitês independentes das empresas e do GPA. Segundo a Via Varejo, essa união vai gerar sinergias recorrentes de R$ 245 milhões por ano a partir de 2017. Além disso, há expectativa de geração de economias de R$ 325 milhões até o fim deste ano.

Sites no País. A operação devolve ao Brasil o controle dos sites de vendas do Pontofrio, das Casas Bahia e do Extra, que estão sob a estrutura da CNova N.V., sediada na Holanda e com capital aberto na Nasdaq. Eles passam a ficar sob o guarda-chuva da Via Varejo, que até então controlava as lojas físicas.

Para ser efetivada, a operação depende de aprovação em assembleias na Via Varejo e na CNova. A assembleia da Via Varejo, que tem a família Klein – fundadora da Casas Bahia – como maior acionista, com 17,9% de fatia, deve ser convocada para 10 de setembro. Já a da CNova pode ocorrer um pouco depois. A intenção é concluir a transação no quarto trimestre.

Segundo Peter Estermann, presidente executivo da Via Varejo, boa parte das sinergias extraordinárias deverá vir da integração dos estoques das empresas. A Via Varejo espera poder utilizar os 27 centros de distribuição e entrepostos logísticos que as empresas possuem para atender os clientes de forma combinada. Até antes da integração, a CNova opera quatro desses centros de distribuição.

Com a união, a Via Varejo quer se tornar a maior de varejo em multicanais do Brasil, operando lojas físicas e online, com receita entre R$ 26 bilhões a R$ 28 bilhões por ano. A integração marca uma reversão na estratégia dos grupos GPA e Casino, que vislumbraram crescimento do comércio eletrônico como motivo para separar estas atividades, formando uma empresa de varejo online com operações no Brasil, França e na Ásia.

A estrutura da transação pela qual a Via Varejo incorporará a operação da CNova no Brasil será por trocas de ações, além de um desembolso de R$ 16 milhões em dinheiro pela Via Varejo. A Via Varejo entregará para Cnova N.V. suas ações, que correspondem a 21,9% do capital. Não haverá diluição dos acionistas existentes da Via Varejo.

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