Viavarejo perde segundo alto executivo em dois dias

Vice-presidente de logística anunciou sua saída da empresa após a renúncia do presidente Antonio Ramatis

Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo,

24 de maio de 2013 | 21h42

O presidente interino da Viavarejo, Victor Fagá de Almeida, não teve um primeiro dia de trabalho fácil. Ao estrear na função nesta sexta-feira, após a saída repentina do titular Antonio Ramatis, ele recebeu o pedido de demissão de um de seus principais executivos: o vice-presidente de logística, TI e expansão, Ney Santos. Ele estava há cerca de dois meses na função e será substituído, também temporariamente, por Marcelo Lopes, diretor executivo de logística do Grupo Pão de Açúcar.

Santos alegou motivos pessoais para a saída, mas o Estado apurou que os motivos para a demissão podem ser os mesmos que levaram Ramatis a deixar a empresa que reúne as varejistas Casas Bahia e Ponto Frio. O responsável pela área logística havia sido promovido pelo presidente que se demitiu na quinta-feira. A discussão sobre o pagamento de um bônus em ações, que foi citado pelo presidente da Viavarejo na carta de demissão, também afetaria Ney Santos.

A permanência do executivo no cargo foi relâmpago, porque ele chegou ao posto de vice-presidente na Viavarejo dentro da estruturação promovida por Ramatis em fevereiro, que resultou na demissão de vários executivos e na promoção de alguns outros. Foi também nesta reestruturação que o atual presidente interino da Viavarejo havia sido promovido a diretor financeiro e de relações com investidores.

Divergências. Apesar dos bons resultados financeiros - o lucro da Viavarejo foi multiplicado por seis no primeiro trimestre de 2013, em relação ao ano passado - , o executivo Antonio Ramatis citou "interferências" em sua gestão como um dos motivos para o desligamento voluntário do cargo de presidente da empresa de varejo.

Fontes do setor dizem que a dificuldade pode ter sido acentuada pelas divergências dos sócios da companhia - a família Klein, o grupo francês Casino e o empresário Abilio Diniz - sobre qual seria o caminho certo para a companhia.

No entanto, um executivo do Grupo Pão de Açúcar, que pediu para não ser identificado, afirmou à reportagem que estava surpreso com a decisão de Ramatis, uma vez que todos na companhia - incluindo a família Klein - teriam deixado clara sua satisfação com o trabalho de reestruturação que vinha sendo feito desde dezembro.

Com a ajuda da auditoria KPMG, Ramatis e sua equipe corrigiram processos que ainda não eram completamente formais dentro da companhia. Segundo apurou o Estado, a reestruturação envolveria a busca de soluções para corte de custos em diversas áreas, incluindo logística.

Nesta sexta, houve comentários de que Ramatis poderia estar se transferindo para a BRF, já que o conselho de administração da dona da Sadia também é presidido por Abilio Diniz. Tanto Ramatis quanto Abilio negaram a informação ao conselho de administração do Pão de Açúcar. 

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