Vice-premiê da Espanha desmente resgate integral de € 300 bilhões

Autoridade europeia teria reconhecido, segundo a Reuters, que o país pode precisar da ajuda caso seus custos de empréstimo continuem altos e de forma insustentável

Agências,

27 de julho de 2012 | 09h59

Atualizado às 12h17

MADRI - A vice-primeira-ministra da Espanha, Soraya Sáenz de Santamaría, negou nesta sexta-feira, 27, que Madri tivesse discutido com a Alemanha a possibilidade de um pacote de resgate total, no valor de 300 bilhões de euros, como foi divulgado mais cedo pela Reuters. O suposto pacote teria sido discutido na última terça-feira, durante reunião do ministro da Economia espanhol, Luis de Guindos, com o colega alemão Wolfgang Schäuble, em Berlim.

A vice-premiê disse que o comunicado divulgado após o encontro não fazia qualquer referência a um resgate integral. Segundo ela, "não vai haver resgate" e "não existe a opção de resgate". A União Europeia recentemente aprovou um programa de ajuda de até 100 bilhões de euros para o setor bancário da Espanha.

Na reportagem publicada hoje, a Reuters dizia — citando uma fonte da zona do euro — que a Espanha reconheceu pela primeira vez que existe uma possível necessidade de um resgate integral por parte da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (UE) no valor de 300 bilhões de euros, caso os custos de empréstimo do país continuem altos e de forma insustentável. A agência de notícias afirma que o ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, levantou essa questão com seu contraparte alemão, Wolfgang Schaeuble, na reunião em Berlim.

O dinheiro viria além dos 100 bilhões de euros já acertados para apoiar o setor bancário da Espanha, levando os recursos da zona do euro para o limite. Schaeuble teria dito a De Guindos, no entanto, que não estava disposto a considerar um resgate antes de o fundo de resgate permanente do bloco monetário — o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM, na sigla em inglês) — entrar em operação mais tarde neste ano. "De Guindos falou de aproximadamente 300 bilhões de euros para um programa integral, mas a Alemanha não ficou confortável com a ideia de um resgate agora", disse a autoridade à Reuters.

"Nada acontecerá até que o ESM esteja funcionando. Uma vez que este estiver operacional, nós veremos quais são os custos de empréstimo da Espanha e talvez retornaremos à questão", afirmou a autoridade, segundo a agência. A Espanha tem afirmado repetidamente que não precisará seguir Portugal, Irlanda e Grécia e buscar um resgate integral.

Enquanto Schaeuble e De Guindos se encontravam na terça-feira, os custos de empréstimo da Espanha alcançaram o maior nível desde que o país adotou o euro, atingindo 7,64% para os títulos de dez anos - um nível com o qual a Espanha não consegue tomar empréstimos no mercado de forma sustentável.

Mas na quinta-feira, 26, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que a autoridade monetária está pronta para agir a fim de diminuir os yields espanhóis, fazendo os de títulos de dez anos do país caírem para 6,88%.

Uma segunda autoridade da zona do euro disse que a Espanha pode administrar a situação sem resgate, mas afirmou que o país fez erros de comunicação que preocuparam os investidores. Questionado se Madri precisa de um resgate, a autoridade disse: "Em termos de pura aritmética, não, se as taxas de juros forem proporcionais ao que eu considero uma situação sustentável."

(Dow Jones, Reuters e Agência Estado)

Tudo o que sabemos sobre:
MACROESPANHARESGATE*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.