Vice-presidente do BB é demitido pelo conselho

Allan Simões Toledo teria sido dispensado por adotar posições frontalmente contrárias às do presidente do banco, Aldemir Bendine

João Domingos e Fernando Nakagawa, de O Estado de S. Paulo,

28 de dezembro de 2011 | 23h09

BRASÍLIA - O vice-presidente de Atacado, Negócios Internacionais e Private Bank do Banco do Brasil, Allan Simões Toledo, foi demitido na terça-feira pelo Conselho de Administração do banco depois de solicitação feita pelo presidente da instituição, Aldemir Bendine. O conselho é presidido por Nelson Barbosa, secretário executivo do Ministério da Fazenda, homem de confiança do ministro Guido Mantega.

De acordo com informações de bastidores, Toledo foi demitido porque vinha adotando posições frontalmente contrárias às de Bendine e da maioria dos diretores. Teria explicitado preocupação com as avaliações de risco da diretoria em algumas grandes operações.

Por isso mesmo, teria sido isolado pelo presidente e por um outro conjunto de diretores. E estes, descontentes, teriam se queixado a Mantega e Nelson Barbosa do comportamento de Toledo.

A pedido

Oficialmente, o Banco do Brasil informou que a saída de Toledo foi um "ato de gestão do conselho de administração" do banco.

A instituição explicou ainda que o desligamento do ex-vice-presidente ocorreu a pedido da administração da casa.

Essa versão passou a ser divulgada depois que amigos de Toledo deixaram no ar outra informação, segundo a qual o ex-vice-presidente estaria negociando a saída do Banco do Brasil por ter convites para dirigir o banco de um grande conglomerado da iniciativa privada.

Falou-se até na financeira do Grupo JBS.

Ainda de acordo com informação de bastidores, há algum tempo a equipe econômica teria visto nas movimentações de Toledo uma tentativa de se confrontar com Bendine, a ponto de forçar um desfecho que poderia resultar na demissão do presidente.

Toledo, então, trabalharia para ser convidado a assumir a presidência do banco. Ele começou no Banco do Brasil como office-boy.

Refratário

A vice-presidência que era ocupada por Toledo trabalha num segmento muito semelhante ao observado nos grandes bancos privados. Ou seja, o BB oferece crédito e produtos financeiros em condições comparáveis às dos concorrentes.

Por ser o Banco do Brasil um banco oficial, por vezes os diretores recebem pressão do próprio governo para aliviar certas situações. Toledo seria refratário a esse tipo de abordagem.

O vice-presidente era responsável pelas operações do Banco do Brasil com grandes empresas, como Vale, Petrobrás, Votorantim e Nestlé, por todas as agências do banco e de suas subsidiárias no exterior e também pelo relacionamento com os clientes mais abastados da organização.

Durante sua gestão, o Banco do Brasil exerceu uma agressiva política no exterior.

Nos últimos anos, o BB comprou o Banco da Patagônia, na Argentina, e o Eurobank dos Estados Unidos.

O Banco do Brasil estava analisando agora a possibilidade de entrar na África, abrindo até caixas de autoatendimento na África do Sul.

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