Vídeo denuncia como as mulheres sofrem com o assédio nas ruas

Vídeo denuncia como as mulheres sofrem com o assédio nas ruas

Um vídeo revelador acaba de se tornar viral, mostrando Shoshana B. Roberts, uma atriz, caminhando sozinha em Nova York. Em dez horas de caminhada pelas ruas, a jovem e atraente Shoshana, vestindo roupas normais, recebe mais de cem cantadas (veja abaixo).

Economist.com

30 de outubro de 2014 | 07h32

Algumas das situações são simplesmente assustadoras. Um dos homens caminha ao lado dela - silenciosamente, de maneira intimidante - por cinco minutos. A experiência foi registrada pelo videomaker Rob Bliss, que andava alguns passos à frente de Shoshana com uma câmera escondida na mochila apontada para ela. De acordo com o Huffington Post:

Em 10 horas de caminhada, Shoshana passou por mais de 100 situações de assédio na rua. Os comentários iam desde cantadas - "linda", "sexy", "Deus te abençoe" - até palavras raivosas.

"Alguém reparando em como você é bonita, não vai nem agradecer?", disse um homem.

"Não quer conversar? Me acha feio? Não podemos ser amigos? Não sabe falar?" insistiu outro.

A maioria das pessoas razoáveis consideraria a coisa toda chocante; mesmo assim, com deprimente inevitabilidade, Shoshana parece ter recebido numerosas ameaças doentias pela internet por ter ousado chamar a atenção para o problema.

Reação masculina ao feminismo. É claro que esse tipo de assédio ocorre em qualquer cidade; em muitas a situação é pior do que em Nova York. Mas tentei imaginar como é ser uma visitante - em especial numa cidade que não conheça tão bem - e ser sujeita a esse tipo de intimidação. Para os homens, é difícil entender.

Um dos problemas está na reação masculina ao feminismo estridente dos anos 1980. De fato, o termo feminismo é muitas vezes considerado pejorativo. Com isso, muitos dos responsáveis pelas cantadas não percebem que seu gesto é intimidador. Muitos provavelmente acreditam que estão fazendo um elogio (um sujeito chega a dizer a Shoshana, "Alguém reparando em como você é bonita, não vai nem agradecer?") Mas o efeito cumulativo é assustador e, principalmente, profundamente desmoralizante.

Para os fins de um blog que trata de viagens de negócios, seria interessante descobrir até que ponto esse tipo de comportamento influencia a escolha do destino de viagem das mulheres. De maneira indistinta, trata-se do tipo de coisas que associamos mais a determinadas partes do mundo.

Já caminhei com mulheres por cidades do Oriente Médio onde a atenção indesejada era constante e, com frequência, física (uma colega solteira me diz que sempre usa uma aliança ao viajar pela região na tentativa de dissuadir ao menos parte dos assediadores). Há partes da Europa em que a situação é parecida, como na Itália.

Experiência brasileira. No Rio de Janeiro, alguns homens se tornaram tão agressivos com duas conhecidas que tive a enojante sensação de que eu teria que interceder, embora aquela fosse talvez a última cidade onde eu desejaria enfrentar um desconhecido intimidador.

Um dos resultados é que muitas cidades têm agora empresas que atendem exclusivamente às viajantes. Em Londres, por exemplo, há várias empresas de táxi exclusivamente femininas. Em Nova York, alguns hotéis chegam a ter andares só para mulheres.

O conhecidamente lotado metrô de Tóquio tem vagões só para mulheres nas manhãs dos dias úteis. É deprimente que tenhamos a necessidade de buscar esse tipo de divisão social. Mas, depois de assistir ao vídeo, não podemos culpar certas mulheres por desejarem algo assim.


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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com

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