Visa não vai perder a liderança no Brasil, garante novo presidente

Fatia da empresa no mercado brasileiro, que chegou a ser de 70%, estaria hoje abaixo dos 50%

Aline Bronzati e Márcio Rodrigues, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2016 | 13h58

SÃO PAULO - A bandeira internacional Visa não considera ser desbancada do posto de líder no Brasil, o segundo maior mercado para a marca no mundo. Sua fatia, que chegou a ser de 70%, estaria hoje abaixo dos 50%, conforme fonte. Isso ocorre em meio à ofensiva de competidores locais como a Elo, de Bradesco, Banco do Brasil e Caixa, mas também de sua principal concorrente, a MasterCard. Apesar de admitir que a concorrência está maior, o novo presidente da Visa no Brasil, Fernando Teles, afirma que o foco da empresa não é necessariamente reagir a esse quadro, mas se posicionar a frente dos competidores tradicionais e também dos que poderão surgir com o avanço da tecnologia, oferecendo soluções que o consumidor ainda não sabe necessariamente que precisa.

Não existe, de acordo com o executivo, uma "bala de prata" para manter a liderança do mercado. Mas a Visa promete se manter no posto de número 1 do mercado de cartões brasileiro ao mudar sua postura no setor, aproximando-se dos clientes e de suas necessidades. Para isso, a companhia já se posiciona como uma empresa de tecnologia que busca atender às demandas e ansiedades de cada consumidor da forma mais individualizada possível.

"A MasterCard está vindo bem. Tem um mercado muito mais competitivo, mas a seara de competição vai acabar mudando de parâmetros tradicionais que a gente conhece hoje para quem está agregando mais valor para a comunidade de consumidores... Não, não vamos perder a liderança no Brasil", garante Teles, em entrevista ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, a primeira desde que assumiu a presidência da Visa no Brasil, há pouco mais de um mês, vindo do Banco Original e com cerca de dez anos de Itaú Unibanco no currículo.

Além de não perder sua hegemonia no Brasil, a Visa quer ganhar mais espaço no País, segundo ele. Para isso, acrescenta, a bandeira faz apostas que vão além de estampar sua marca em plásticos de débito ou crédito. Uma delas teve sua primeira transação efetuada ontem (21). Clientes do aplicativo Restorando, que viabiliza a reserva de restaurantes em São Paulo, poderão acompanhar sua conta em tempo real no celular a partir da hora que chegarem no estabelecimento, podendo pagá-la com apenas um clique, sem a necessidade de que o garçom leve a máquina de cartões (POS, na sigla em inglês).

Iniciativas como essa, de acordo com Teles, devem ajudar a Visa a se manter na liderança, ainda que a empresa não esteja costurando associação com grandes bancos, a exemplo do que fez a MasterCard com Itaú Unibanco e Santander e enquanto a Elo, que já é aceita no exterior, cresce com o apoio de seus emissores. "A concorrência no futuro não necessariamente é a competição de hoje. O teu concorrente lá na frente pode ser alguém que não estava no radar, que você não conhece", afirma. "O Uber não existia", exemplifica o presidente da Visa, citando a concorrência com os táxis.

Empresa de tecnologia. A experiência com o Restorando é a primeira iniciativa de plataforma aberta (APIs, na sigla em inglês) da Visa com um cliente exclusivamente brasileiro. No âmbito global, a bandeira já desenvolveu soluções em parceria com Facebook, Samsung Pay, Uber, entre outros. No total, soma 16 APIs desde o lançamento do Visa Developer Center, em fevereiro deste ano, programa que permite que desenvolvedores de softwares e aplicativos tenham acesso a produtos e serviços oferecidos por plataformas da empresa.

As soluções desenvolvidas podem gerar dois tipos de retorno para a Visa: um deles é comercial, como no modelo B2B, no qual a empresa negocia acordos com o desenvolvedor, após ter testado o potencial da nova solução; o segundo tipo de retorno vem por meio das facilidades oferecidas pela Visa aos clientes de seus clientes, resultando em aumento de transações.

Setor de cartões. Por isso, mesmo partindo para novos segmentos, a rentabilidade da Visa, explica Teles, segue diretamente associada ao crescimento do volume de transações. Então, no fim do dia, a meta da Visa é fazer com que o mercado e seus clientes cresçam. Para este ano, o executivo espera que o mercado de cartões avance dentro da expectativa da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), de alta de 6,5%, contra avanço de 8,4% em 2015. Já para 2017, ele vê o setor acelerando e voltando a crescer dois dígitos.

"Temos a experiência da crise, mas o sofrimento (da empresa) talvez não tenha sido tão acentuado como nos demais (setores) porque ainda há migração de pagamentos e muita oportunidade de entrar em novos segmentos. Nossa visão é positiva para o cenário do Brasil daqui para frente. Entendemos que há uma retomada da confiança do consumidor", avalia Teles.

O grandes desafio da Visa, segundo o executivo, é mostrar o valor que tem a agregar para o consumidor. A grande pergunta a ser respondida, conforme ele, é "Por que Visa?". "Esse é o meu desafio. Responder porque você deve fazer negócio com a Visa. Nosso slogan é 'com a Visa você pode mais'. Precisamos responder o que é esse pode mais", conclui.

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