Visita de Tarso não garante extradição, diz procuradora

Ministro deve levar a Mônaco nesta segunda o pedido judicial contra ex-banqueiro Salvatore Cacciola

Daniela Fernandes, BBC Brasil

24 de setembro de 2007 | 07h29

O ministro da Justiça, Tarso Genro, se reúne nesta segunda-feira, 24, em Mônaco com autoridades judiciais do país para reforçar o interesse do governo brasileiro na extradição do ex-banqueiro Salvatore Cacciola. Mas a procuradora-geral de Mônaco, Annie Brunet-Fuster, disse que a viagem do ministro "só terá efeito se ele trouxer o pedido de extradição".   Veja também: Mônaco acata maioria dos pedidos de extradição   Uma visita apenas diplomática não permitirá, segundo ela, que o processo avance na Justiça de Mônaco. A procuradora vêm afirmando nos últimos dias que continua aguardando os documentos brasileiros.   Segundo informações do Ministério da Justiça, divulgadas na quinta-feira, Genro não levaria na bagagem o pedido formal de extradição, mas somente os trechos mais importantes das ações contra Cacciola.   Processo   O processo judicial que pede a extradição do ex-dono do banco Marka possui 552 páginas e ainda está sendo traduzido para o francês, informou a assessoria do ministério.   O dossiê contra Cacciola na Justiça de Mônaco se resume até o momento a uma magra pasta com um dezena de papéis, que tratam basicamente de sua prisão no principado.   O ministro Tarso Genro passou o dia de domingo em Paris, mas evitou falar com a imprensa. Ele embarcou para Mônaco na manhã desta segunda-feira.   Ele se reúne ainda na segunda com o diretor dos Serviços Judiciários, Philippe Narmino, cujo cargo é equivalente ao de ministro da Justiça, e depois, em outro encontro, com a Procuradora-Geral de Mônaco.   O Brasil dispõe agora de pelo menos duas semanas para enviar o pedido de extradição, já que o prazo legal, de 20 dias, começou a correr desde a prisão de Cacciola, no último dia 15.   Mas esse prazo de 20 dias pode ser prorrogado por mais 20 dias a pedido do governo brasileiro. O advogado de Cacciola em Mônaco, Frank Michel, afirmou à BBC Brasil que preferiria que o ministro Genro "não fosse a Mônaco".   Mas o advogado disse também acreditar que a visita do ministro não irá influenciar em nada o julgamento dos magistrados da Corte de Apelações de Mônaco, o equivalente a um tribunal de recursos, que irá analisar a validade jurídica do pedido de extradição de Cacciola.

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