Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Fundada no centro de SP, Vivara pode arrecadar R$ 2,4 bi ao chegar à Bolsa

Uma das especulações do mercado é que o dinheiro seria usado para a compra da rival H. Stern, considerada uma marca de “luxo puro” e que vende joias de valores mais altos

Fernanda Guimarães, Fernando Scheller e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2019 | 12h55
Atualizado 08 de outubro de 2019 | 06h34

A família Kaufman, que veio para o Brasil após a Segunda Guerra, inaugurou em 1962 a primeira loja da Vivara no centro de São Paulo, onde se concentram até hoje vários negócios do ramo. Quase 60 anos mais tarde, porém, a empresa cresceu bem mais do que suas concorrentes: com 230 lojas, especializou-se no “luxo acessível” e está prestes a abrir o capital, com a previsão de captar até R$ 2,4 bilhões, quando considerados os lotes adicionais de ações. Será a primeira rede de joalheiras brasileira a ser listada na B3, a Bolsa paulista.

Vivara vai estrear no mercado de ações nacional na quinta-feira, 10. O processo de expansão da rede começou sobretudo a partir dos anos 80, quando a empresa empreendeu uma expansão que seguiu de perto a abertura de shopping centers. Desde 1992, a família Kaufman – que está até hoje à frente do negócio – produz suas joias em uma fábrica em Manaus. O valor de mercado estimado para a rede, caso o preço da ação saia no teto das previsões, a R$ 25,40, é R$ 6 bilhões.

Como a oferta é prioritariamente secundária, a maior parte do dinheiro arrecadado – cerca de R$ 500 milhões – deve ir para o caixa para bancar a expansão da empresa. Isso quer dizer que os acionistas atuais podem embolsar quase R$ 2 bilhões com a operação. Uma das especulações do mercado é que o dinheiro do IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês) seria usado para a compra da rival H. Stern, considerada uma marca de “luxo puro” e que vende joias de valores mais altos. 

O diretor da Vivara, Nelson Kaufman, é descrito por fontes do mercado financeiro como um empresário “intuitivo”, que “sabe o que o consumidor quer”. Também é um negociador nato e costuma apertar o fornecedor para a compra de matéria-prima. 

Ele também é sócio da Etna, de móveis e decoração, que chegou a ser colocada à venda no mercado anos atrás – foi oferecida para a concorrente Tok Stok, mas o acordo não foi adiante. Procurada, a Vivara não quis dar entrevista.

Classes B e C. Segundo um especialista em branding, embora a Vivara não seja uma marca de luxo, ela tem elementos “aspiracionais” para certos consumidores das classes B e C. “Nesse sentido, para a classe média, a Vivara pode ser considerada luxo”, disse. Uma eventual compra da H.Stern poderia, portanto, transformar a Vivara em dona de um grupo com marcas voltadas para diferentes públicos. 

Em reuniões com investidores, a Vivara afirmou que o dinheiro da abertura de capital pode ser usado para aquisições “menores”. “Além das iniciativas visando ao crescimento orgânico, avaliamos expandir nossa área de atuação por meio de aquisições e parcerias estratégicas. O setor de joalheria no Brasil é muito fragmentado, com redes de pequeno e médio portes”, diz o prospecto da Vivara.

Do total a ser levantado na oferta primária, 65% seriam usados para abertura de lojas. Segundo a Vivara, R$ 260 milhões são necessários para esse fim. Outros 15% dos recursos, ou cerca de R$ 60 milhões, iriam para a expansão do parque fabril, com aumento da produção.

Na apresentação de sua tese de investimentos, a Vivara afirmou que, durante o período de recessão no Brasil, entre 2015 e 2016, optou por aumentar a produção de itens confeccionados em prata em detrimento dos produtos com ouro.

O lucro líquido da Vivara no primeiro semestre foi de R$ 186 milhões, aumento de 142% em relação ao mesmo intervalo de 2018. A receita líquida foi de R$ 523,7 milhões, alta de 12,8%.

Os bancos Itaú BBA, Bank of America Merrill Lynch, XP Investimentos e JP Morgan coordenam a oferta.

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