Viver, controlada pelo fundo Paladin, tenta se reerguer

Aquela velha comparação do valor das ações com o preço do cafezinho já não vale para a incorporadora Viver. Na sexta-feira, com a cotação a R$ 1,14, nem um espresso pequeno dava para comprar. Para se ter uma ideia, a Eztec, empresa mais cara do setor imobiliário, está sendo negociada a R$ 25. Entre as incorporadoras, a Viver foi a que mais perdeu valor na bolsa em 2012, tornando-se uma das empresas mais baratas do mercado de capitais. Suas ações já despencaram 43% no ano.

AE, Agencia Estado

24 de setembro de 2012 | 11h13

?Os investidores fugiram porque ainda não sabem claramente que caminho a administração vai seguir para resolver os problemas da companhia?, disse um analista que pediu para não ser identificado. Conscientes do que o mercado está pensando sobre a empresa, os acionistas da Viver decidiram mandar um recado a credores e investidores na tarde sábado.

A incorporadora comunicou no fim de semana que recebeu uma proposta de aumento de capital de seus principais acionistas - donos, em conjunto, de 70% da empresa fundada em 1991 pela família Parizotto com o nome de Inpar. Eles propuseram um aporte de R$ 50 milhões. ?Esse é um valor simbólico, distante da dívida de R$ 1,5 bilhão, mas que dá um claro sinal de que os acionistas estão comprometidos com o futuro da companhia?, disse o diretor de relações com investidores, Guido Lemos.

Esses sinais são necessários num momento em que a empresa enfrenta sua quarta crise consecutiva em pouco mais de 10 anos. No primeiro semestre, a Viver teve um prejuízo de R$ 64 milhões e viu seu endividamento chegar a 116% de seu patrimônio líquido. Parte da explicação para esses resultados negativos está no revés sofrido pelo mercado imobiliário entre o fim do ano passado e 2012. As vendas, que estavam super aquecidas no ano anterior, desaceleraram no mesmo momento em que as companhias começaram a sentir as dores do crescimento impulsionado pelas aberturas de capital em 2007. Depois de encher o caixa e se espalhar pelo País, praticamente todas tiveram problemas com obras atrasadas, custos de construção acima do esperado e o descontrole dos canteiros de obra.

Em 2009, a empresa foi salva pelo fundo americano Paladin, que comprou o controle das mãos dos Parizotto e iniciou uma mega reestruturação. O fundo vendeu ativos, reduziu o número de lançamentos, convenceu a família a deixar de vez a operação, e até mudou o nome da companhia em março do ano passado. Mas, até hoje, as ações não surtiram os resultados esperados.

O presidente do conselho de administração, Michael Lenard, é o executivo da Paladin responsável por acompanhar de perto as operações da Viver desde a aquisição em 2009. O conselho de administração comandado por ele passou a se reunir mensalmente e seus membros estão ainda mais presentes no dia a dia da empresa. Sem fazer lançamentos no segundo trimestre do ano, a Viver está concentrada em renegociar a dívida e reduzir custos - o quadro de funcionários já foi reduzido em 6%. A meta dos novos executivos é mostrar ao mercado que ela tem muito mais que quatro vidas. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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