Célia Froufe/Estadão
Célia Froufe/Estadão

Volks mostra 'cara' de seu novo carro brasileiro

Montadora alemã divulga silhueta do New Urban Coupé, como vem sendo chamado o modelo desenvolvido no Brasil e que será, pela primeira vez, produzido em outros países; VW confirma investimentos de R$ 7 bi, sendo que parte irá para novo carro

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 12h21

Wolfsburg (Alemanha) - O novo carro brasileiro da Volkswagen começa a ganhar forma - e boa parte dos investimentos da montadora alemã destinados ao País nos próximos anos. A montadora divulgou há pouco a silhueta do modelo que foi totalmente desenvolvido no Brasil e, pela primeira vez, será produzido em outros países, conforme adiantou o Estado. Os jornalistas puderam ver o protótipo, mas não fotografá-lo ou levar sequer papel e caneta durante a visita. 

O New Urban Coupé, como vem sendo chamado, deve ser um CUV (intermediário entre sedã e utilitário esportivo, o SUV), segundo fontes de mercado. O modelo usará a mesma plataforma (base) do T-Cross, lançado este ano. 

A Volkswagen também confirmou investimentos de R$ 7 bilhões para o Brasil até 2020. O anúncio foi feito há quatro anos. Desse total, R$ 5 bilhões estão sendo direcionados para as fábricas paulistas, sendo que a de São Bernardo e São Carlos (unidade de motores) receberão R$ 2,4 bilhões em 2019 e 2020. A unidade de São José dos Pinhais (PR), na qual é feito o T-Cross, o primeiro utilitário esportivo (SUV) produzido pela empresa no Brasil, consumiu R$ 2 bilhões.

Boa parte da diferença nos investimentos projetados para o biênio - ou R$ 2,6 bilhões - irão para as demandas de produção do novo carro. No passado, o modelo Fox, por exemplo, foi também desenvolvido nacionalmente, mas apenas exportado para outros países. Agora, há previsão de produção em vários outros países do modelo, cujo nome final será conhecido apenas no lançamento, ainda sem data marcada.

New Urban Coupé

O New Urban Coupé exigirá modernização da fábrica Anchieta da montadora, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. De acordo com a companhia, a unidade receberá um novo conjunto de prensas para ampliar a produtividade e qualidade para abastecer as linhas de montagem.

A previsão é de que o equipamento consiga produzir quatro vezes mais peças por minuto na comparação com a linha anterior. Além da produção do novo veículo, cujos detalhes estão sendo guardados a sete chaves pela empresa, Novo Polo, Virtus, Saveiro e Saveiro Cross são fabricados nessa unidade.

Já na fábrica de São Carlos haverá a duplicação da linha de montagem de vibraquins, componente do motor, para 2 mil unidades. A Volkswagen costuma importar esse item e hoje, além de produzir para o mercado doméstico passou a exportar o produto para outras unidades no mundo.

A estratégia da companhia, divulgada anteriormente, era lançar 20 novos modelos até 2020. Desse total, 13 já chegaram ao mercado brasileiro. Julho foi o segundo melhor mês em vendas para a companhia em território nacional (maio segue na liderança e dados de agosto indicam, conforme apurou o Estadão/Broadcast, que possa ocupar a primeira colocação).

De acordo com a companhia, há 50 engenheiros voltados para o novo projeto. O novo modelo congrega sistemas de áudio, conectividade, multimídia, o que é uma novidade em relação à produção doméstica, já que o Brasil costuma importar esses equipamentos.

Além dos recursos para a produção do novo veículo e o aporte será destinado a digitalização, melhoria da planta Anchieta para nova unidade de estamparia e para duplicar a produção de virabrequins, um componente de uma peça do motor, para 2 mil unidades diárias, na unidade de São Carlos.

A América do Sul é o mercado da Volkswagen que mais cresce para a marca no mundo e responde atualmente por 8% das vendas globais do grupo. O setor automotivo, incluindo autopeças, representa 4% do Produto Interno Bruto (PIB) e 20% do PIB industrial do Brasil.

A montadora emprega 70 mil funcionários em Wolfsburg, matriz da companhia e uma das fábricas mais antigas do setor na Europa, já considerando 10 mil trabalhadores que atuam na Autstad, uma parque temático voltado para consumidores.

 

Setor

Apesar da grande importância ainda para o PIB doméstico, o setor vem enfrentando tempos difíceis nos últimos anos. Atualmente, por causa da necessidade de investimentos em novas tecnologias, muitas das empresas passaram a ser mais focadas em digitalização, que demanda grandes somas para desenvolvimento, do que necessariamente na linha de montagem.

No começo do ano, após uma dura negociação com a GM e a Ford para manter as plantas no Estado, o governo de São Paulo estava ávido por obter boas notícias e, por isso, João Doria se deslocou até Wolfsburg para ouvir anúncio de investimentos. A previsão é que sejam criadas 100 novas vagas, com os investimentos anunciados pela montadora. 

De acordo com o governo paulista, o setor de veículos é considerado prioritário para a administração atual devido ao grande potencial de geração de empregos e de renda.

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