MALAGRINE ESTÚDIO - 18/08/2020
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Volkswagen vai testar bateria com nióbio em ônibus elétricos

Montadora fechou parceria com a brasileira CBMM, fabricante de produtos de nióbio, para desenvolver o projeto; baterias têm recarga ultrarrápida

Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2021 | 19h13

RIO - A CBMM, fabricante de produtos de nióbio, fechou parceria com a Volkswagen Caminhões e Ônibus para desenvolver e aplicar baterias de recarga ultrarrápida em veículos elétricos da montadora. É a primeira vez que o nióbio é usado para esse tipo de bateria, parte da estratégia da empresa controlada pela família Moreira Salles (70% de participação) de ganhar novos mercados.

A tecnologia foi desenvolvida ao longo de três anos de pesquisa em parceria com a Toshiba, no Japão. A bateria será, agora, aplicada e testada, primeiramente, em ônibus urbanos pela Volkswagen Caminhões e Ônibus. Os testes serão realizados na montadora em Resende, no sul fluminense. Posteriormente, novos testes serão realizados na unidade da CBMM em Araxá (MG).

"O que estamos propondo com a tecnologia é substituir o anodo a base de grafite por uma composição de óxido de nióbio com óxido de titânio na bateria", explica Ricardo Lima, vice-presidente da CBMM, acrescentando que a empresa investiu cerca de R$ 200 milhões desde 2018 no programa de baterias. "É uma tecnologia que amplia as aplicações do nióbio e abre novos mercados".

Existem diversas baterias para veículos elétricos sendo produzidas no mundo. Segundo a CBMM, a vantagem de sua tecnologia seria o carregamento ultrarrápido, em menos de 10 minutos, em vez das mais de 4 horas das baterias atuais. Para empresas, a velocidade representa ganho de produtividade. Também teria maior durabilidade, com autonomia de 350 quilômetros.

Lima explica que a CBMM desenvolve tecnologia de nióbio, mas quem produz as baterias é a Toshiba, no Japão. A empresa japonesa vai produzir inicialmente 5 mil unidades da bateria e enviá-las para 25 potenciais clientes para testes. A fábrica teria capacidade para atender ao ramp-up inicial de produção. A ideia é que a bateria possa começar a ser comercializada dentro de dois anos.

Vida útil da bateria   

Roberto Cortes, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, diz que os testes vão permitir conhecer a eficiência, produtividade e o resultado econômico-financeiro da bateria. "O nióbio é mais caro. E a bateria já é o item mais caro de veículos elétricos. Em tese, esse custo é compensado por benefícios da nova bateria, como o menor tempo de carregamento e maior vida útil", explica Cortes.

A CBMM já fornece óxido de nióbio para cátodo de baterias empregadas em micromobilidade (scooters, bicicletas e triciclos elétricos). Com a nova tecnologia, a empresa espera ter mais diversidade de produtos. Hoje, 90% do faturamento vêm do ferronióbio, liga metálica usada na indústria siderúrgica. A expectativa é que seja reduzido para 65% até 2030.

Recentemente, a empresa anunciou que pretende investir ao menos R$ 7 bilhões a partir de 2022 para aumentar sua capacidade produtiva em Araxá. A companhia espera elevar das atuais 150 mil toneladas para 210 mil toneladas por ano a capacidade de produção ao fim de cinco anos.

O nióbio ficou mais conhecido nos últimos anos por ser frequentemente exaltado pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo o presidente, praticamente apenas o Brasil teria nióbio. O elemento, porém, pode ser produzido a partir de minérios diversos: pirocloro, columbita, tantalita, encontrados em mais de 85 localidades do mundo.

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