Larry W.Smith/EFE
Larry W.Smith/EFE

Volvo fará apenas carro elétrico e hibrído daqui a três anos

A partir desse período, montadora sino-sueca deixará de produzir modelos só com motor a combustão

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 05h00

PARIS - A Volvo, uma das mais tradicionais montadoras de automóveis do mundo, anunciou nesta quarta-feira, 5, que abandonará nos próximos três anos a produção de veículos com motores a combustão – ou seja, movidos exclusivamente a gasolina ou diesel. A companhia sino-sueca privilegiará a fabricação de automóveis elétricos ou híbridos, que comporão 100% dos novos modelos a partir de 2019. A decisão é a primeira tomada por grandes montadoras no mundo e responde também à valorização espetacular da americana Tesla, que superou em valor de mercado a General Motors ao fabricar apenas carros elétricos.

A decisão da Volvo Car, companhia sueca controlada pela montadora chinesa Geely, foi informada por comunicado ontem. A partir de 2019, a empresa, conhecida por seu nível de segurança de excelência, só lançará carros elétricos e uma gama de veículos híbridos – com dois motores, um elétrico e outro a combustão.

Entre 2019 e 2021, uma nova linha de cinco modelos será lançada, três sob a marca Volvo e dois sob a bandeira Polestar. Os automóveis serão movidos apenas por eletricidade. Mas a substituição completa dos motores a combustão será progressiva, passando também pelos veículos híbridos, com bateria recarregável. A empresa, com sede em Göteborg, na Suécia, não informou quando seus veículos serão exclusivamente movidos a eletricidade.

“Este anúncio significa o fim do veículo apenas equipado com um motor a combustão”, afirmou o diretor-geral da empresa, Hakan Samuelsson. “As pessoas exigem cada vez mais carros elétricos e queremos responder às necessidades atuais e futuras de nossos clientes. (…) Isso significa que não haverá mais nenhum Volvo sem motor elétrico.”

A Volvo pretende vender 1 milhão de automóveis elétricos e híbridos entre 2019 e 2025 – uma meta ambiciosa, já que em 2016 apenas 2 milhões de veículos desses tipos estavam em circulação em todo o mundo, segundo dados da Agência Internacional de Energia. A boa notícia é que este número dobrou de 2015 para o ano passado.

Consultada pelo Estado, a direção de comunicação da companhia na Suécia não soube informar qual será a situação de mercados como o brasileiro, em que a penetração de veículos com propulsão elétrica ou híbrida é muito limitada.

A reviravolta tecnológica da Volvo acontece sete anos após a sua venda pela Ford à chinesa Geely. Desde então a empresa voltou a ganhar espaço no mercado internacional. Em 2016, suas vendas cresceram 6,4%, com a produção de 534 mil automóveis. Uma de suas vantagens é estar bem posicionada no mercado chinês, o maior em que atua, com avanço de 11,5% e 90 mil carros vendidos em 2016.

No novo segmento, Volvo reencontrará sua concorrência habitual – as alemãs Mercedes-Benz, BMW e Audi, que também se lançaram na produção de automóveis sem motores a combustão. Além dos concorrentes de luxo, a francesa Renault e a americana General Motors também planejam lançamentos.

A maior rival, no entanto, será a Tesla, que em 2016 vendeu 84 mil veículos 100% elétricos. A companhia vai começar a entregar seu modelo 3, que deve catapultar as vendas a 200 mil unidades ainda em 2017, no final do mês. O entusiasmo com as perspectivas da montadora elevou seu valor a US$ 58 bilhões – 25% superior ao da Ford.

Mais conteúdo sobre:
Volvo Indústria automobilística

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.