Votação sobre dívida dos EUA deve ocorrer hoje às 19h

Casa Branca disse que aceitaria aumento de curto prazo no teto da dívida, caso Congresso precise de mais dias para elaborar projeto de lei

Gustavo Nicoletta e Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

29 de julho de 2011 | 14h29

A Câmara dos Representantes dos EUA vai votar por volta das 19h (de Brasília) sobre o plano do partido republicano para elevar o teto da dívida e diminuir o déficit orçamentário do país, de acordo com um assessor de um deputado do partido.

O líder da maioria republicana na Câmara, Eric Cantor, disse que o partido possui votos suficientes para aprovar o projeto de lei. No Senado, onde a maioria pertence aos democratas, o plano deve ser rejeitado. As informações são da Dow Jones.

A Casa Branca repetiu nesta sexta-feira, 29, que aceitaria um aumento no teto da dívida dos EUA que atendesse apenas as necessidades de financiamento do país no curto prazo se o Congresso precisasse de mais dias para elaborar um projeto de lei de redução no déficit orçamentário.

O secretário de Imprensa da Casa Branca, Jay Carney, disse que o governo do presidente Barack Obama ainda não acredita ser necessário aumentar o teto da dívida apenas para satisfazer as necessidades de financiamento norte-americanas no curto prazo. Ele acrescentou que Obama ainda acha que há tempo para fechar um acordo antes de 2 de agosto - data em que os EUA perderão a capacidade de financiar seus gastos, segundo o Tesouro do país.

Ontem à noite, os líderes republicanos foram forçados a adiar a votação do projeto do líder republicano, John Boehner, após perceberem que não tinham apoio suficiente para aprová-lo. Hoje, eles informaram alguns membros do baixo clero do partido que podem fazer uma emenda no projeto de Boehner, sobre a elevação do limite de endividamento do país, na tentativa de angariar apoio de legisladores que se opõem à proposta.

A maior mudança seria a exigência que as duas Casas do Congresso aprovem uma emenda constitucional determinando que o governo federal equilibre seu orçamento antes de um novo aumento no teto da dívida, atualmente em US$ 14,29 trilhões.

Segundo a proposta, o limite de endividamento seria elevado imediatamente em US$ 900 bilhões, o suficiente para que o governo consiga se financiar até fevereiro ou março do ano que vem. Então, para o teto da dívida ser elevado novamente, tanto a Câmara como o Senado teriam de aprovar a emenda que exige um ajuste no orçamento. O atual projeto de Boehner não fala nada sobre o orçamento, exigindo apenas uma nova votação para aumentar o limite da dívida.

Mesmo que o projeto seja aprovado na Câmara, os democratas, que controlam o Senado, prometeram rejeitar a proposta de Boehner. Eles defendem que o limite de endividamento seja elevado de uma só vez, para que o assunto não tenha de ser debatido novamente em 2012, ano de eleições presidenciais nos EUA.

Plano democrata revisado

O líder da maioria democrata no Senado americano, Harry Reid, disse que a versão revisada do plano dos democratas para elevar o teto da dívida do país, atualmente de US$ 14,29 trilhões, reduzirá os déficits orçamentários federais em US$ 2,4 trilhões durante a próxima década.

Uma versão anterior do plano previa um corte de gastos de US$ 2,2 trilhões, de acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, em inglês) não partidário. O aumento do seria suficiente para sustentar a tomada de empréstimos pelo governo até março de 2013, afirmou Reid.

O CBO terá ainda que divulgar sua avaliação do plano revisado.

Os democratas do Senado e os republicanos da Câmara dos Representantes foram perturbados pela estimativa do escritório sobre os cortes do déficit previstos em seus planos. Antes da revisão inicial da CBO do plano democrata, líderes do partido tinham dito que iriam cortar US$ 2,7 trilhões em gastos nos próximos 10 anos. Já os republicanos foram informados pelo órgão de que seu plano cortaria US$ 850 bilhões em gastos, e não o US$ 1,2 trilhão informado.

Ambos os partidos foram forçados a fazer mudanças nos seus planos para conseguir mais economias. Os democratas e os republicanos afirmaram que seus planos incluiriam medidas de redução do déficit que seriam, no mínimo, iguais ou superiores ao aumento no teto da dívida.

Os líderes democratas planejam realizar procedimentos iniciais de votação do plano do Reid no domingo, às 2h (de Brasília), de acordo com o senador democrata Charles Schumer. Se a votação for bem sucedida, os primeiros procedimentos da votação final poderão ocorrer na terça-feira, dia 2 de agosto, o prazo final para o aumento do limite da dívida. 

Eles disseram que podem considerar a elevação do teto em duas partes, como insistem os republicanos, mas só se o segundo aumento for garantido. As informações são da Dow Jones.

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