Votorantim Cimentos desiste de IPO e põe em xeque novas ofertas em 2013

Com ambiente ruim, Azul, Unidas e Ouro Verde também devem deixar abertura de capital para o ano que vem 

Gabriela Forlin, de O Estado de S. Paulo,

12 de agosto de 2013 | 10h41

Texto atualizado às 21h

SÃO PAULO - A Votorantim Cimentos pediu nesta segunda-feira a retirada do registro de oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), sinalizando que outras aberturas de capital dificilmente sairão do papel em 2013, de acordo com especialistas ouvidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

"Ninguém está vendo um ambiente muito favorável. Já há um desaquecimento claro do mercado de capitais no segmento de ações", afirma Flávia Turci, sócia-fundadora da Turci Advogados, especialista em mercado de capitais. Ela observa que está ocorrendo uma migração para o mercado de dívida (debêntures, bônus, bonds), visto que os investidores tendem a priorizar operações de dívida estruturada quando ficam inseguros com ofertas de ações.

"Os investidores em geral estão com menos apetite em relação ao risco do mercado brasileiro por conta de manifestações e incertezas em relação à economia. Nada mostra que o mercado vai mudar tão rapidamente", observa a advogada. Para ela, é até possível que as empresas que ainda estão na fila avaliem a situação e levem as ofertas para o último trimestre, mas que o provável é que as emissões fiquem mesmo para 2014.

Atualmente, Azul, Unidas e Ouro Verde estão na fila para abrir o capital. Tupy tem estruturada uma oferta subsequente. A Votorantim afirmou que "as condições atuais dos mercados reforçam a baixa probabilidade de uma janela oportuna para a retomada da oferta no curto prazo". Contudo, garantiu que o IPO segue nos planos da empresa, que continua "monitorando de perto a evolução dos mercados, aguardando condições adequadas para retomada da oferta".

Para Luiz Marcatti, sócio da consultoria Mesa Corporate Governance, é até possível que uma nova emissão de empresas já listadas na bolsa ocorra este ano, mas um IPO "é muito difícil por diversos aspectos".

"Dependemos muito do dinheiro vindo do exterior para fazer esses grandes lançamentos, e a tendência, no momento, é de migração forte de dinheiro para fora. Ora é para cobrir buracos em outros mercados, ora é porque há a expectativa de alta de juros nos Estados Unidos, ora é porque a economia interna não vai bem", observa.

Marcatti acredita que se o empresário realmente não precisar do dinheiro agora vai aguardar um momento melhor para abrir o capital e evitar um fracasso da oferta. "Não parece haver cenário de mudança que já favoreça o segundo semestre", ressalta.

Procurada, a Unidas não comentou o assunto. A Azul disse que abrirá o capital quando as "condições de mercado estiverem propícias". A assessoria da Ouro Verde não foi encontrada.

Mercado. O cancelamento de IPOs aponta para uma reversão do cenário do início do ano. O número de ofertas de ações registradas entre janeiro e julho de 2013 se aproxima do montante contabilizado em todo o ano de 2012. Foram 12 operações no período (sete IPOs e cinco ofertas subsequentes), contra 13 em 2012 (sendo três IPOs), que movimentaram cerca de R$ 17,3 bilhões. Só os IPOs deste ano movimentaram R$ 15,85 bilhões na Bolsa brasileira, o melhor ano para aberturas de capital desde 2009. Neste ano, o montante foi impulsionado pela oferta da BB Seguridade, que somou R$ 11,47 bilhões.

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