Nacho Doce|Reuters
Nacho Doce|Reuters

VW quer reduzir mão de obra em 34%

Empresa alega ter 3,6 mil funcionários excedentes no ABC paulista e propõe medidas como corte de salários e benefícios, além de PDV

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2016 | 05h00

A Volkswagen informou ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC ter 3,6 mil trabalhadores excedentes na fábrica de São Bernardo do Campo (SP), ou 34% de seu efetivo, de 10,5 mil funcionários. Para evitar demissões aleatórias, a empresa propõe várias medidas, como abertura de novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), redução de salários para novos funcionários, corte no adicional noturno e nos benefícios (inclusive do serviço de chá e café) e fim da estabilidade para acidentados.

Entre os excedentes, 2,5 mil são da área de produção e 1,1 mil do setor administrativo. As propostas ainda serão discutidas entre as partes e depois levadas para avaliação dos trabalhadores em assembleia. Em maio, a empresa havia informado o sindicato que tinha um excedente de 1.060 empregados na unidade.

A nova proposta da empresa altera acordo fechado com o sindicato em 2015, que previa o congelamento dos salários até 2017. A intenção agora é estender a medida até 2019 e em 2020 e 2021 aplicar apenas o repasse da inflação (INPC).

Em nota, a Volkswagen justificou que as projeções do setor são diferentes hoje e indicam que o mercado brasileiro deve consumir 2 milhões de veículos neste ano, 20% menos que em 2015 e 40% inferior a 2014.

“Por essa razão, a empresa retomou as discussões com o sindicato para que nas próximas semanas sejam construídas alternativas para o novo cenário que se impõe, além de outras medidas de eficiência e organização para a fábrica”, informou a nota. A unidade produz atualmente os modelos Gol, Saveiro e Jetta.

Nuvens e raios. O secretário-geral do sindicato, Wagner Santana, disse que “a situação atual exige um processo de reflexão coletiva para que busquemos uma negociação capaz de dar soluções que interessem aos trabalhadores”. Santana ressaltou, contudo, esperar que a empresa “abra mão de cláusulas apresentadas e que consigamos chegar a uma negociação que atenda as expectativas dos trabalhadores”.

Na capa do boletim distribuído nesta segunda-feira, 11, aos trabalhadores há uma foto da fábrica na via Anchieta em meio a nuvens escuras, sendo atingida por raios. Em letras garrafais, a frase “O tempo fechou”.

A Volkswagen disse que pretende continuar com programas como o lay-off (suspensão de contratos) e o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), mas em bases diferentes, com corte maior dos salários e menor participação na parte que lhe cabe na complementação salarial. Hoje, a empresa tem 8,4 mil funcionários em PPE, com jornada e salários reduzidos em 20%, e 610 em lay-off.

Propostas semelhantes já foram feitas por outras montadoras, como a General Motors de São Caetano do Sul (SP), mas medidas como redução de adicional noturno e fim da estabilidade para acidentados não foram aceitas. Por enquanto, a proposta é válida só para a fábrica do ABC. O grupo também produz carros em Taubaté (SP) e em São José dos Pinhais (PR) e motores em São Carlos (SP).

Tanto na fábrica de Taubaté quanto em São Bernardo, a Volks suspendeu o PPE em junho e neste mês, para compensar dias parados por causa da falta de bancos. As férias coletivas previstas nas duas unidades para junho estão sem data definida. Para o ABC, quando novo grupo entrar em PPE, a Volks quer ampliar de 20% para 30% redução da jornada e de salários.

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